Ontem
escrevi para você. Como penso em imagens e não em palavras fui construindo as
cenas conforme escrevia. E me vi com a esferográfica entre os dedos deslizando
suavemente no silencio das coisas entre as linhas do caderno. Escrevi e
reescrevi um milhões de vezes, até que me dei por satisfeito. Arranquei a
folha, dobrei em quatro, coloquei no envelope, enderecei, escrevi o remetente,
fechei, na agência do correio o funcionário pesou, selou, paguei e vi ele jogar
a carta junto com as outras que seguiriam o seu destino ainda naquele dia. Sai
do estabelecimento sorrindo contente por ter feito o que me propusera fazer.
Fiquei imaginando que dali a dois dias no máximo você estaria recebendo a minha
carta. Ou chegando em casa, vindo do serviço, sua mãe ou talvez uma das suas
irmãs lhe entregaria a minha missiva. E entre intrigado e curioso ao ler o
remetente se perguntaria franzindo a testa: o que esse cara quer? Devo ler ou
não? E vou dizer o que você fez, a decisão que tomou. Nenhuma, não leu, não
jogou fora, não fez nada, porque não escrevi porra de carta alguma e se não
escrevi não postei nada no correio.
É
isso... ou, não é?
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