sábado, 12 de fevereiro de 2022

Diário de um sentir – Caderno número 9.772(2022)

                       

            Ontem escrevi para você. Como penso em imagens e não em palavras fui construindo as cenas conforme escrevia. E me vi com a esferográfica entre os dedos deslizando suavemente no silencio das coisas entre as linhas do caderno. Escrevi e reescrevi um milhões de vezes, até que me dei por satisfeito. Arranquei a folha, dobrei em quatro, coloquei no envelope, enderecei, escrevi o remetente, fechei, na agência do correio o funcionário pesou, selou, paguei e vi ele jogar a carta junto com as outras que seguiriam o seu destino ainda naquele dia. Sai do estabelecimento sorrindo contente por ter feito o que me propusera fazer. Fiquei imaginando que dali a dois dias no máximo você estaria recebendo a minha carta. Ou chegando em casa, vindo do serviço, sua mãe ou talvez uma das suas irmãs lhe entregaria a minha missiva. E entre intrigado e curioso ao ler o remetente se perguntaria franzindo a testa: o que esse cara quer? Devo ler ou não? E vou dizer o que você fez, a decisão que tomou. Nenhuma, não leu, não jogou fora, não fez nada, porque não escrevi porra de carta alguma e se não escrevi não postei nada no correio.

            É isso... ou, não é?

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