sexta-feira, 4 de março de 2022

Carta 19

      

Bom dia isso, bom dia aquilo, vozes que se esparramam na congruência maligna da vida insuportável. Merda! Merda e merda, é só o que posso dizer, não sei explanar condignamente a merda congruente disso e daquilo. Tudo é amalgama do sentir intenso que me faz perecer a todo o momento, a todo minuto e a todo segundo.
Respondendo ou não ao bom dia ou, ao boa tarde, arrasto a carcaça de merda pelas vias da vida sacrificando meus intentos. Piso nas células concretas da minha carne como alfinetes que me espetam diariamente. Aceito as agulhas na esperança em ter mais um sacrifício alimentado de esperanças fugidas nos braços prostitutos pelo prazer de pagar para ter prazer. E prazerosamente, me acolho nos cantos escuros das almas sombrias onde durmo meu sono de fracassado sonhos irrealizáveis. Durmo, durmo nos braços de quem não me tem e que nunca me terá por ser eu o que sou e, não ser o que todos queriam ou pensavam burguesamente que eu pudesse ser. Sorrio evangelicamente na putrescível existência de ser eu tão somente.

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