sábado, 19 de março de 2022

Carta 3

Olá, tudo bem?

Realmente você tem razão. A carta anterior não merece existir. Não tem a profundidade de ser denominada literatura. É mais um rascunho de algo que poderia ter qualidade. Melhor descartá-la, não é mesmo? Há uma coisa que você não sabe. Quase nada descarto, sabia? Quer dizer, não jogo fora quase nada do que escrevo sim alguns foram parar no lixo, mas são raros. E no meu pensar, o escritor não deve eliminar nada, guardar tudo o que escreve só assim poderá ser entendido. Portanto, não jogarei fora a carta anterior.

Bem, na minha modesta opinião literária Tom Ripley é de todos os personagens que conheço o mais sensacional, o mais cativante herói sem caráter. Sei que você conhece. Além do que, ele surgiu em vários livros de Patricia e em dois filmes: O Sol Por Testemunha, dirigido por Alains Resnais, se não me engano, com Alan Delon, onde o diretor deu uma visão mais policial e, O Talentoso Ripley, esse mais recente, não lembro o nome do diretor, com o ator Mat Demon. A refilmagem chegou mais perto do que é o herói, um cara safado, oportunista, malandro sem perder o charme, falsário...

Ah! Já estou vendo sua cara perguntando. Porque Tom e não um personagem da literatura brasileira? Não lembro um personagem brasileiro que tenha me cativado. E olhe que já li bastante, mas assim que lembrar um, mudo o nome. Parece que não gostou. Dei-lhe um nome para ficar mais fácil, não ficar algo jogado assim sem eira e nem beira, no espaço do papel como algo descartável, entende?

Antes de terminar, isto porque, já estou avançando para a segunda folha, veja o que escrevi na linha da carta anterior.

Olha só o que aconteceu.

Recebi, entre ontem e hoje, mais de vinte e-mails pedindo a exclusão do meu grupo de leitores. Esse grupo é composto de cem e-mails ou um pouco mais, talvez. Tudo isso é medo do que? Como diz o velho deitado: quem tem medo, tem medo de algo, não é mesmo? Só tenho uma coisa para dizer a esses leitores precavidos: podem ficar sossegados, não mencionarei nomes e muito menos aspectos físicos, comportamentais e, nem sexuais. Tudo será sutilmente pelo aspecto literário. Não tem como perceberem de quem eu falo. Portanto, como disse uma grande filosofa: relaxe e goze.

  Desses vinte, dois se disseram casados; quatro não queriam ter suas vidas expostas como se fosse mercadorias, palavras deles; dois se diziam adeptos do liberalismo e poderiam ser mal vistos; dois proclamaram sua sexualidade discretamente; quatro se diziam temerosos e pediam segredo; e os outros quatro não se manifestaram.

Portanto fica aqui apenas o registro e esquecemos a carta anterior.

Abraço e até a próxima. 

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