Olá, tudo bem?
Realmente você tem
razão. A carta anterior não merece existir. Não tem a profundidade de ser
denominada literatura. É mais um rascunho de algo que poderia ter qualidade.
Melhor descartá-la, não é mesmo? Há uma coisa que você não sabe. Quase nada
descarto, sabia? Quer dizer, não jogo fora quase nada do que escrevo sim alguns
foram parar no lixo, mas são raros. E no meu pensar, o escritor não deve
eliminar nada, guardar tudo o que escreve só assim poderá ser entendido.
Portanto, não jogarei fora a carta anterior.
Bem, na minha
modesta opinião literária Tom Ripley é de todos os personagens que conheço o
mais sensacional, o mais cativante herói sem caráter. Sei que você conhece.
Além do que, ele surgiu em vários livros de Patricia e em dois filmes: O Sol
Por Testemunha, dirigido por Alains Resnais, se não me engano, com Alan Delon,
onde o diretor deu uma visão mais policial e, O Talentoso Ripley, esse mais
recente, não lembro o nome do diretor, com o ator Mat Demon. A refilmagem
chegou mais perto do que é o herói, um cara safado, oportunista, malandro sem
perder o charme, falsário...
Ah! Já estou vendo
sua cara perguntando. Porque Tom e não um personagem da literatura brasileira?
Não lembro um personagem brasileiro que tenha me cativado. E olhe que já li
bastante, mas assim que lembrar um, mudo o nome. Parece que não gostou. Dei-lhe
um nome para ficar mais fácil, não ficar algo jogado assim sem eira e nem
beira, no espaço do papel como algo descartável, entende?
Antes de terminar,
isto porque, já estou avançando para a segunda folha, veja o que escrevi na
linha da carta anterior.
Olha só o que
aconteceu.
Recebi, entre
ontem e hoje, mais de vinte e-mails pedindo a exclusão do meu grupo de
leitores. Esse grupo é composto de cem e-mails ou um pouco mais, talvez. Tudo
isso é medo do que? Como diz o velho deitado: quem tem medo, tem medo de algo,
não é mesmo? Só tenho uma coisa para dizer a esses leitores precavidos: podem
ficar sossegados, não mencionarei nomes e muito menos aspectos físicos,
comportamentais e, nem sexuais. Tudo será sutilmente pelo aspecto literário.
Não tem como perceberem de quem eu falo. Portanto, como disse uma grande
filosofa: relaxe e goze.
Desses
vinte, dois se disseram casados; quatro não queriam ter suas vidas expostas
como se fosse mercadorias, palavras deles; dois se diziam adeptos do
liberalismo e poderiam ser mal vistos; dois proclamaram sua sexualidade
discretamente; quatro se diziam temerosos e pediam segredo; e os outros quatro
não se manifestaram.
Portanto fica aqui
apenas o registro e esquecemos a carta anterior.
Abraço e até a próxima.
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