sexta-feira, 18 de março de 2022

Carta 4

 Enfim quinta-feira, véspera de feriado. Temperatura baixa, garoa determinando um possível dia de Páscoa sem sol. Já imaginou o coitadinho do coelhinho, além de botar aqueles ovos grandes, ter que enfrentar um mau tempo desses! Fico com puta pena dele. E a molecada? Como será a molecada? Isto é, age como os idiotas das molecadas de antigamente? É! Eram idiotas sim, tudo bem, tinha encantamento, fantasias, alegria... E qual a criança que não tem alegria? Sim, até essas que vivem nos semáforos fazendo malabarismo com aqueles grotescos cabos de vassouras à custa de umas pequenas moedas, até eles têm suas alegrias. É uma alegria diferente de uma alegria de palacete e de bela e formosa mesa de alimento, mas são eles alegres. E, até arisco, são mais felizes que qualquer outra criança.

 Lembro-me de uma vez só de estar percorrendo o quintal, não sei se de minha casa ou de alguma tia, junto com os primos, a maioria da mesma idade, a procura de ovos que o coelhinho pacientemente botou em lugares estratégicos para que procurássemos. Não me lembro de outra vez isso ter acontecido. E muito menos lembro se levei choque ou não ao saber que, quem botava os ovos eram meus pais após comprá-los no armazém. É aquele tempo era armazém, não existiam supermercados, acho que não tinha super porra nenhuma, os únicos super que eu conhecia eram os meus super-heróis das histórias em quadrinhos.

Ah! Outra data memorável que guardo no escrutínio dos escondidos. Meu belo aniversário, não sei que ano foi, mas sei que nesse dia fui assistir GIGI com os primos. Caiu na semana da Páscoa, creio que uns dois dias antes, não recordo, oh merda de memória que não guarda quase nada. Fico intrigado com esses escritores que dizem lembrar coisas que lhes aconteceram em tenra idade. Sei que nesse dia meus presentes foram ovos de chocolates de todo tipo, tamanho e forma e, o que esperava ganhar, até hoje não ganhei. Aprendi, o que eu quero ganhar vou lá e compro, não fico esperando.

Bom mudando da noite para o dia, veja o que escrevi um pouco antes dessas linhas acima:

Então, enquanto o sol reflete seus raios nas janelas e, vozes ensurdecedoras vociferam como se fosse mercado de peixe, os ponteiros dos segundos avançam formando minutos e, consequentemente, os minutos formam as horas. Ligeiras como a mente que não para em objeto nenhum e, muito menos, numa ideia só, a mente, maligna força, cria pensamentos transtornando a realidade ou, criando a realidade desinformada num contexto único e exclusivo do seu criador. Não sei, quando se tem a nítida noção da irrealidade dominando a realidade, deparamos com paranoicos vivos numa redoma de vidro criado tão somente para alimentar suas próprias paranoias.

Organizo-me dentro do consumo capitalista enrijecendo os músculos famintos de saudáveis formas.    

Sabe que achei propicio chamá-lo de Tom? Veja bem, além do personagem literário, há o personagem do desenho animado, o gato Tom e, o fabuloso compositor Tom Jobim. Mais que acertado, não acha? O que? Tom Cavalcante? Não conheço.

Um abraço que essa já ultrapassou novamente o estipulado de uma página somente desculpe.

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