segunda-feira, 28 de março de 2022

Diário de um sentir – Caderno número 9.778(2022)

                

            Calcei as luvas. Desci segurando no corrimão. As luvas de pano rústico deixavam a mão sentir a friagem escura e lisa do corrimão. Como sempre, pouco me importei. Que importância tinha as luvas, o corrimão frio liso e escuro, e muito menos se calcei as luvas ou não? Qual a importância disso tudo? Um ato? Uma cena? Uma fantasia? Fosse o que fosse seria tudo ou nada se a importância a mim nada significava. Olhei as mãos, agora nuas, as luvas vazias jogadas em qualquer canto, o corrimão frio liso e escuro, como pequenos inúteis objetos, se é que o corrimão possa ser considerado um objeto, cujos segmentos a mim nada diziam. Como a luz que a tudo iluminava no frio lampejo de ser luz a iluminar o abstrato de enaltecer o meu eu e tudo ao meu redor. Então, num sobressalto, a minha frente se solidificou as palavras: Estou absolutamente tranquilo, e ao ler a invisibilidade das palavras, certifiquei o que sempre sentia e duvidava, cheguei ao ponto máximo da vida, paz e tranquilidade e, assim desabei na poltrona abraçando essa tranquilidade e paz.

            É isso... ou, não é?

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