Calcei
as luvas. Desci segurando no corrimão. As luvas de pano rústico deixavam a mão
sentir a friagem escura e lisa do corrimão. Como sempre, pouco me importei. Que
importância tinha as luvas, o corrimão frio liso e escuro, e muito menos se
calcei as luvas ou não? Qual a importância disso tudo? Um ato? Uma cena? Uma
fantasia? Fosse o que fosse seria tudo ou nada se a importância a mim nada
significava. Olhei as mãos, agora nuas, as luvas vazias jogadas em qualquer
canto, o corrimão frio liso e escuro, como pequenos inúteis objetos, se é que o
corrimão possa ser considerado um objeto, cujos segmentos a mim nada diziam.
Como a luz que a tudo iluminava no frio lampejo de ser luz a iluminar o
abstrato de enaltecer o meu eu e tudo ao meu redor. Então, num sobressalto, a
minha frente se solidificou as palavras: Estou absolutamente tranquilo,
e ao ler a invisibilidade das palavras, certifiquei o que sempre sentia e
duvidava, cheguei ao ponto máximo da vida, paz e tranquilidade e, assim desabei
na poltrona abraçando essa tranquilidade e paz.
É
isso... ou, não é?
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