domingo, 1 de maio de 2022

Devaneio silencioso.


No brilho dos teus olhos, ele sangrou palavras não ditas, mas colhidas furou as bolhas de águas escorrendo pela face em forma de lágrimas. Nada foi dito, nenhum som saiu da garganta, nem um ruído sequer se fez ouvir. Um silêncio se impôs fremindo a carne para a carne dela, num ritmo lento de valsa que, aos poucos, os envolveu. A melodia picando a pele, trânsitos deixou-os sem que pudessem resistir, caindo um nos braços do outro. Entregue aos músculos resistentes, mas ao mesmo tempo, cheio de suavidade e confiança, o frágil corpo feminino foi arrastado pela sala no gracejo musical. Nesse devaneio emudecido, onde apenas os gestos e olhares tinham vez, tudo foi dito num rápido valsar. No momento em que a música soletrou os últimos acordes, já sabiam dos desejos levando-os ao extremo de não sentir mais ninguém à volta deles. Nada os impediria daquele instante em diante e, nada deixaria que os impedissem de fazer o que tinham de fazer. Dito isso no silêncio dos nervos prontos a explodir, controlavam-se na cadência efetiva de se entregarem um ao outro. Naquela noite as estrelas ganharam um brilho mais que intenso, e a lua, beijou levemente de doce prazer as peles nuas abraçadas no gozo da felicidade eterna.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...