No brilho dos teus olhos, ele sangrou palavras não ditas, mas colhidas furou as
bolhas de águas escorrendo pela face em forma de lágrimas. Nada foi dito,
nenhum som saiu da garganta, nem um ruído sequer se fez ouvir. Um silêncio se
impôs fremindo a carne para a carne dela, num ritmo lento de valsa que, aos
poucos, os envolveu. A melodia picando a pele, trânsitos deixou-os sem que
pudessem resistir, caindo um nos braços do outro. Entregue aos músculos
resistentes, mas ao mesmo tempo, cheio de suavidade e confiança, o frágil corpo
feminino foi arrastado pela sala no gracejo musical. Nesse devaneio emudecido,
onde apenas os gestos e olhares tinham vez, tudo foi dito num rápido valsar. No
momento em que a música soletrou os últimos acordes, já sabiam dos desejos
levando-os ao extremo de não sentir mais ninguém à volta deles. Nada os
impediria daquele instante em diante e, nada deixaria que os impedissem de
fazer o que tinham de fazer. Dito isso no silêncio dos nervos prontos a
explodir, controlavam-se na cadência efetiva de se entregarem um ao outro. Naquela
noite as estrelas ganharam um brilho mais que intenso, e a lua, beijou
levemente de doce prazer as peles nuas abraçadas no gozo da felicidade eterna.
domingo, 1 de maio de 2022
Devaneio silencioso.
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