Diário da sexta-feira.
Estava com a carta na mão. Revirava por que revirava na intenção de se livrar
da angústia e abrir para saber o resultado. Os exames tinham sidos cansativos,
humilhantes e desgastantes, julgava que não conseguiria passar por outros
novamente. Do peito expulsou um longo suspiro. Bom, precisava saber, não podia
guardar mais essa angustia dolorida. Abriu e leu:
“Diagnóstico: paranóico depressivo, com um alto grau de sexualidade
perigosa, revelando perniciosamente uma maldade conectiva com seus atos que se
confunde com bondade.”
Já
esperava. Todos, bem quase todos diziam mais ou menos isso. Portanto, chegou-se
a janela aberta, desabotoou a camisa, expôs o peito sem atrativos ao vento frio
da manhã. Ficou em pé no parapeito da sacada e abriu os braços.
Nisso
num gesto impensado, próprio de quem não sabe o que fazer, melhor dizendo,
próprio de quem não sabe o que faz, arrancou uma rosa e ofereceu à morte, essa
companheira desde os tempos de feto, ou talvez desde os tempos em que ainda nem
embrião era.
A morte sorriu, agradeceu e deixou que ele vivesse por mais trinta anos e, quem sabe, depois dos trinta anos ela receberia outra rosa...!
Nenhum comentário:
Postar um comentário