terça-feira, 17 de maio de 2022

Diário da sexta-feira.

Diário da sexta-feira.


Estava com a carta na mão. Revirava por que revirava na intenção de se livrar da angústia e abrir para saber o resultado. Os exames tinham sidos cansativos, humilhantes e desgastantes, julgava que não conseguiria passar por outros novamente. Do peito expulsou um longo suspiro. Bom, precisava saber, não podia guardar mais essa angustia dolorida. Abriu e leu:
“Diagnóstico: paranóico depressivo, com um alto grau de sexualidade perigosa, revelando perniciosamente uma maldade conectiva com seus atos que se confunde com bondade.”

Já esperava. Todos, bem quase todos diziam mais ou menos isso. Portanto, chegou-se a janela aberta, desabotoou a camisa, expôs o peito sem atrativos ao vento frio da manhã. Ficou em pé no parapeito da sacada e abriu os braços.

Nisso num gesto impensado, próprio de quem não sabe o que fazer, melhor dizendo, próprio de quem não sabe o que faz, arrancou uma rosa e ofereceu à morte, essa companheira desde os tempos de feto, ou talvez desde os tempos em que ainda nem embrião era.

A morte sorriu, agradeceu e deixou que ele vivesse por mais trinta anos e, quem sabe, depois dos trinta anos ela receberia outra rosa...!

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