domingo, 8 de maio de 2022

PS. Fui...

                     


A saudade bate na consistência dos prédios mudos
de vozes que gritam a imponência maligna.
Deslizam vidros e caixilhos obscurecidos de podres
sentimentos elevados ao extremo.
Corroem dedos na limpeza semanal de lavar e passar
dores persistentes.
Pés descalços oscilam entre bolhas e feridas abertas
a procura do que não sei.
Mãos espalmam torturas indivisíveis ao correr da
pele aveludada.

1

Entro no carro
Fecho os vidros
Ajeito o banco
Queima-me o calor da tua ausência
Os dedos se fecham em volta do cambio
Mudo a marcha decidido a não ter mais saudade
No concreto dos pneus no asfalto frio

Imprimo ao coração aflito a velocidade

E jogo-me no precipício de não mais amar

2

Veneno são as manhãs insolúveis
Martírio são os papéis a perfurar
Tortura é prisão profissional para sobreviver
Angustia são as noites deploráveis

3

Não há mais lugar para Poema Sujo
Não há mais espaço para Construção
Em Passárgada não há mais rei
A Roda Viva desencantou muitos destinos

4

A babaquice hoje é fundamental
O ensino deixou de ser o principal

Facu é só mero estatus
Diploma para enfeitar
A parede do quarto
Não tem nada não
Vamos aos comes e bebes
Demorô cocotinha
Saboreemos o bagulho
Numa linda trilha de pó
Dançar o funk a noite inteira
Mara é a vida
É nóis na fita
Suave é neve
Falô mina
Bele cara
ps fui...
inté

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