Sou o teu sorriso dolorido pousado na ausência da tua pele estendida ao sol da
cidade.
Sou o teu sorriso
calcinado de zinco e aço percorrendo escombros de alma saudosa.
Sou o teu sorriso
virulento de sanguíneo pus que em forma de garoa molha sapatos ocos.
Sou o teu sorriso
empobrecido que nos lábios busca a doce fragrância sexual da língua safada.
Sou o teu sorriso estampado na estrutura da carne alcoolizada de paixão não
sentida.
Sou o teu sorriso
das canções em karaokês pulsando a opacidade das letras melancólicas.
Sou o teu sorriso do
violão acompanhando acordes dispersos que o ouvido capta.
Sou o teu sorriso de
criança que a tudo embeleza e a tudo engrandece em mimosidades e presentes.
Sou o teu sorriso da bola que rola em gramado impulsionado por gritos e
exclamações de filho da
puta.
Sou o teu sorriso da palavra que cala em alfinetadas de sons sangrando pruridos
desejos não saciados.
Sou o teu sorriso do sorriso que teus lábios transferiam para os meus lábios
tudo o que me pertencia.
Só não sou o teu sorriso da morte, essa minha eterna companheira, pois ainda
tenho muito que viver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário