Os passos rasgam
Os passos rasgam o espaço num ritmo compassado, onde os pés defloram o que
adiante se apresenta como obstáculos.
Nada o impedirá de seguir. Sabe que não há nada a impedir seus passos
compassados num ritmo apressado. Não. Não há nada que o impedirá.
No entanto, alguma
coisa indefinida nos seus passos, traduz a angustia do século de vivência
humanitário. Não é culpa dele se o mundo é podre e está indo a bancarrota. Não,
não é culpa dele.
Talvez, seja anormalidade dos seus sentimentos jogados ao léu boêmio sem ter
outra coisa além do copo de uísque. Onde estão as mulheres que o acompanhavam?
Onde estão os homens rudes na violência urbana a provocar seus devaneios
poéticos intraduzíveis?
É! Onde estão? Perdeu o carisma das palavras. Perdeu as palavras num
carismático caçar infrutífero.
Por isso se recolhe.
Todas as noites antes que as estrelas brilhem no céu cinza da alma, se recolhe
no aconchego dos sonhos em lençóis banhados de perfume artificial.
E, sonha. Sonha com
os amigos descobridores de aventuras orgiasticas onde, cada um, terminava na
cadeia da ressaca infernal.
Onde estão todos? Onde está ela? Que me acompanhava alucinado bebendo minhas
palavras. Captava silaba por silaba em seu interior agasalhando falicamente o
aprendizado que a ela transmitia.
Onde estão todos? Sumiram no alcoólico diário de suas vidas amargurando as
saudades deixadas em cada peito, em cada copo deflorado nas madrugadas de sexo
e rock´n roll.
Fecho-me nas
palavras que ainda há para escrever.
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