Acompanhava a pequena Virginia em suas desventuras, morando com a mãe doente,
Laura que deixara o pai, Natércio para viver com Daniel, em sua visita às irmãs
Bruna e Otávia, que moravam com o pai, quando o deus Morfeu o arrebatou da
companhia das meninas, levando-o ao mundo dos sonhos. E profundamente dormiu,
tanto é que sentiu ser cutucado no ombro por um dedo que, lhe pareceu, já fazia
um tempo que estava a cutucá-lo.
Acordou como sempre acordava assustado. A
primeira coisa que fez foi olhar pela janela verificando onde estava realmente.
Apressado, agradeceu, levantou meio atrapalhado. Ainda bem que há pessoas
conscienciosas, senão onde estaria agora? Talvez na garagem junto com o ônibus.
Rapidamente desceu, retribuiu os desejos de um
bom final de semana para a coordenadora e para o motorista, deixando que seus
sapatos calcassem as pastilhas do calçamento do Conjunto Nacional, o único
lugar que não foi reformado, também não era preciso, pois sempre foi o melhor
calçamento que ele já vira e, isso no quarteirão inteiro.
Jogou a bolsa tiracolo nos ombros, sentiu-se
com um poder de decisão forte nada de depressão ou desanimo. Se coragem fosse
sua máxima, achou que até conseguiria voar, voar simplesmente, não como o
babaca do Super-Mam, melhor dizendo o Super-homem, o que, aliás, sempre se
julgou super-homem, apenas que sua força tinha certa e, claro, pequena diferença
do herói de cueca vermelha.
Portanto usando e abusando dessa força, o que não deveria nunca desprezar,
passou na banca comprou o filme O Sentido da Vida, do grupo Monty Python, cujo
humor escrachado não é para qualquer estômago. Agora vou poder assistir inteiro
a esse filme, pensou porque, todas as
vezes que o filme passava no Tele Cine, precisava interromper por causa dos
argumentos contra o humor inglês quebrando sua atenção.
E com o DVD em baixo do braço, atravessou o rio
escuro enfrentando os monstros metálicos segurando-os apenas com a luz vermelha
do farol.
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