Palavras apenas palavras
Precisava da palavra para encontrar-se na multidão regurgitando sons desconexos
pela avenida. Precisava sim. Mas esse precisar não era intenso como das outras
vezes. É precisar sem necessidade de precisar instantaneamente. Por isso, lento
meio que desleixado até, corria os pés no calçamento liso e plano da avenida.
Nisso uma luz filtrou sua carne em finíssimos raios brancos de lasciva
claridade flutuando em pequenas distâncias. Sentiu-se elevar na vertical
consistência da vida. Sentiu-se expandir na horizontal vivência em ter a vida.
Feliz se sentou no meio-fio da agitação. Pediu um copo de chope e, em paz
consigo mesmo, disse:
- Quero que as preocupações estourem como bolhas de sabão.
E na espuma do sentimento, aguçou a alma captando o sabor do momento, sem se
importar com o futuro e muito menos com o passado.
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