Nas cores vibrando ao som de uma guitarra que ao longe demonstra paixão
silenciosa; há nas entrelinhas cinzentas e escuras dos prédios humanos, um
perigoso e eficiente inimigo a corroer os liames das estruturas; há na cidade
de pedra e pouco verde humanitário, o câncer progredindo sob os túmulos dos
mortos vivos, sob o asfalto úmido de lágrimas cujos famintos se vendem nas
esquinas luzentes de vida metálica, sob as estruturas de ferro e cimento dos
viadutos onde morrem almas cancerosas pela vilania de olhares vazios e
angustiantes escondidos nos falsos sorrisos de alegria; há sempre uma morte
sendo anunciada ferindo um coração melancólico a embebedar-se musicalmente de
vida, assim como, há apenas ilusão nos passos dos dançarinos a deslizar
amabilidades para plateias cristalizadas pela beleza estética do show;
há sempre uma criança que chora o adulto desmistificado no futuro de preocupações
e pouca regalia; nas cores vibrando ao som de uma guitarra que ao longe explode
em paixão silenciosa sempre há uma esperança que retarda meus passos.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2022
Pequenas histórias 220
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