A caneta, o estilete, o grampeador, o telefone mudo, transparece na quietude do
meio-dia ensolarado depois de dias friorento.
O que esses objetos podem significar no dia-a-dia de sobrevivência gotejando
pelos poros da preguiça a vontade de chutar tudo e mandar para aquele lugar
aonde ninguém vai?
O
papel se dobra por causa de sua maleabilidade amorfa sintética de ser apenas um
papel a serviço de mãos sádicas. Mãos que poderá usá-lo sabem-se lá pra que. No
momento se presta apenas para limpar os ósculos.
As
pastas azuis claras e escuras esperam sua finalidade de uso se comportando
dentro da integridade de cada uma.
O
mouse se encaixe dentro da palma da mão numa atitude feminina acalentando a quentura
da pele com sua frieza em servir passivamente.
A tesoura, instrumento perigoso, mortal em mãos desvirtuadas da moral, cujo
beneficio é cortar os liames que prende um objeto ao outro ou, simplesmente
dilacerar peitos sanguíneos de morte ferida.
O calendário, marcador do tempo que não espera os atrasados e, muito menos, os
imóveis de sentidos que não sabem o que fazer, opera sarcasticamente nas
vísceras das moléculas envelhecendo-as.
A única salvação é a música, como disse um doido dos neurônios: a música é ópio
da humanidade, até pode ser, mas ópio que opera milagre, que reúne povos,
pessoas diferentes, num só balançar de ossos de um lado para outro. Ópio que
por três dias ou mais até, cantou o amor entre os homens de boa vontade e
cheios de prazeres a luz do sol e ao sabor da lua.
E
viva o amor.
Como
disse Pelé em solo americano: Love, love, love...
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