Cansados olhos pousa na manhã ensolarada em objetos a procura de um tema, de um
indicio de escrita, de algo novo, diferente e, para o seu espanto, repara que
não há nada novo, de diferente, tudo continua a mesma coisa ontem, hoje e
sempre. O poder de escrita é pequeno, diminuto diante do grande poder que há
dentro do peito machucado.
Nada
é mais sincero do que a dor sentida ao não querer sentir a dor. No entanto,
parecendo ou não ela está lá, por mais disfarce que usamos, por mais expansivo
que sejamos ela está lá. Não adianta sorrir diante de um dia ensolarado, não
adianta sorrir ao ver o sorriso de uma criança, não adianta se emocionar com
uma estupenda música, ela vai sempre estar lá comunicando: veja não me esqueça.
E
quem consegue esquecer a dor? Quem consegue extirpá-la quando mais precisamos
dela? Não há poeta que não consiga se livrar dela. A dor é necessária, mais
necessária que amar.
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