Manchas de pensamentos invadem
o cérebro na busca em dizer o certo. Cola-se aqui e ali, metamorfoses de
palavras nem sempre a certa. Os dedos obedecem tão somente. Obedecem
pressionando teclas pretas do sentir a vida escorregando entre os dedos num
finíssimo fio de areia úmida e gostosa. Não há como aprisionar, prender cada
grão de areia assim como não há como prender o sentimento que escorre pela
garrafa de cerveja para o copo e do copo para a garganta seca de se saber
amado.
Quisera o poder de
conciliar todo o sentir numa palavra de uma silaba só. Quisera ter na palavra a
música cheia de acordes sublimes que me leva as lágrimas. Quisera conter essa
lágrima em minha mão e entregá-la a você como prova de nossa existência única e
bela. Quisera ser, não só a lágrima, mas todas as lágrimas quentes ou frias
para poder sacrificar meu sentimento dirigido a você que longe está e não me
ouve. Quisera e como!
No entanto tenho, como
companheira, apenas manchas de pensamentos que, inescrupulosamente invadem meu
cérebro ao querer tão somente, dizer o certo do meu amor a você. Eis aqui a
minha questão de fé. Eis aqui o mistério da paixão. Eis aqui a nossa
crucificação.
Morrerei por ter e não ter o
seu e o meu amor.
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