sábado, 14 de janeiro de 2023

Pequenas histórias 194

 

           Manchas de pensamentos invadem o cérebro na busca em dizer o certo. Cola-se aqui e ali, metamorfoses de palavras nem sempre a certa. Os dedos obedecem tão somente. Obedecem pressionando teclas pretas do sentir a vida escorregando entre os dedos num finíssimo fio de areia úmida e gostosa. Não há como aprisionar, prender cada grão de areia assim como não há como prender o sentimento que escorre pela garrafa de cerveja para o copo e do copo para a garganta seca de se saber amado.

Quisera o poder de conciliar todo o sentir numa palavra de uma silaba só. Quisera ter na palavra a música cheia de acordes sublimes que me leva as lágrimas. Quisera conter essa lágrima em minha mão e entregá-la a você como prova de nossa existência única e bela. Quisera ser, não só a lágrima, mas todas as lágrimas quentes ou frias para poder sacrificar meu sentimento dirigido a você que longe está e não me ouve. Quisera e como!
           No entanto tenho, como companheira, apenas manchas de pensamentos que, inescrupulosamente invadem meu cérebro ao querer tão somente, dizer o certo do meu amor a você. Eis aqui a minha questão de fé. Eis aqui o mistério da paixão. Eis aqui a nossa crucificação.
           Morrerei por ter e não ter o seu e o meu amor.

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