O cursor pisca a impaciência na espera tão somente que os dedos da incerteza teclem letras sabias e compreensíveis. Os dedos imóveis pousam levemente sob as teclas, procura o comando certo para agir. Esperam no repouso das sombras encolhidas pelas marquises de cimento e lágrimas. Deita o mendigo no concreto da tua vida molhado pela chuva da madrugada. Sorri o passante pouco se lixando com a alheia vida de fome e sem teto. Quem sabe o que poderá ter acontecido ou, porque chegou a esse ponto o mendigo? Para que vou me preocupar com a vida alheia se tenho a minha cheia de problemas familiares, vícios, finanças, e outras merdas que atrapalham meu viver. É o que todos fazem sem remorso. Afinal é a vida e a vida não se pode alterar. Cada um tem a sua merecida ou não. Cada um tem a sua ao palmilhar os caminhos que o trouxeram até a esse momento. Pouco importa se o sol rasga o finito do ser. Pouco importa se a solidão se infiltra na esperança morta num copo de cerveja ao fechar do último bar. Não quero saber, não tendo ninguém enchendo o saco, que tudo o mais vá para o inferno, não é o que dizia o Rei falido, que não sabe se deita na cova ou não? Pois é, caminhamos zumbis, caminhamos sobre os trilhos enferrujados, pois o trem azul partiu há muito tempo.
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