Então é isso. E nisso ficou. Lembrou que não sabia mais escrever. Lembrou que
seus dedos apenas passeavam pelas letras pretas do pequeno teclado como se
passeasse por outra superfície qualquer. Lembrou com amargura. E guardou essa
lembrança como segredo só dele, não poderia passar para mais ninguém. Quem
conhecimento tivesse dessa lembrança não mais ousaria ler o que ele viesse
desse dia em diante escrever. Parou no meio da frase. Pois não eram frases que
surgiam em sua mente, e sim, palavras desconjuntadas sem significados, palavras
que ele não poderia de maneira nenhuma errar ao digitá-las. As palavras pulavam
de um lugar para o outro, não pousavam apenas numa sequencia de entendimento,
pulavam aleatoriamente levando-o a exercícios forçado aumentando o esforço em
segura-las, em aprisioná-las nas pontas dos dedos sem uma sequencia determinada
pela razão. Então é isso, disse sua mente para ele mesmo. Se é isso então não
tenho nada para escrever. E assim, desconsolado, imprimiu lentamente um ponto,
um final ponto obrigando-o a parar. E assim parou, não escreveu mais. Fechou o
programa. Desligou o micro. E nada mais fez daquele dia em diante. Fim.
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