terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Pequenas histórias 152

 

A música estilhaça o meio-dia em cristais de fragmentos no chão da agonia dedilhando o sangue em notas musicais.

Na voz da cantora o medo da solidão avança no teu corpo cheio de mistérios e magia conduzindo-me num puro enleio.

Envolve-me a fruição dos pelos nas fibras do teu desejo em conjunção aos meus de macho faminto carregado de emoção.

Devoro-te a cada renascer da Fênix e conjugo o verbo satisfação em ter-me dentro de ti amando-te com devoção.

Devoro-te segundo a segundo em intenso viver na proporção em que somos alimentados pelo fluídico prazer.

Do teu ventre colho o aroma da maçã adocicada de ternura cálida a apaziguar minha língua ávida.

Sorvo o leite num orgasmo delirante na boca do perigo que num grito lacerante rompe as grades da prisão.

Aquieto-me no pulsar das tuas veias e recebo o fluxo da paz nas filigranas do sol a iluminar praças e ruas.

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