Teu olhar de cálida luz envolve-o de escuridão onde o medo dos passos imprimiu
marcas na areia da solidão.
O
medo é sempre ao acordar nas manhãs de sol ou, nas manhãs de ensolarada bruma
de friorenta chuva ao molhar os ossos feridos pela lança da mágoa.
Teu
olhar de cálida luz revelou a ele os insignificantes vãos cheios de
probabilidades pequenas e importantes.
Vãos
que aos poucos se tornaram maiores que as probabilidades em preenchê-los no
conjunto dos gestos rotineiros.
Teu
olhar de cálida luz, aquece-o mas não aquece o faminto que mais uma vez se
encolhe junto à parede fugindo do frio com um mero cobertor.
Ao
passar por ele, olhou-o penalizado, não por ver o coitado ao relento, mas pelo
fato em sim, perguntando-se como pode uma pessoa chegar a uma situação assim?
E
se apropriando um pouco do teu olhar de cálida luz, mentalmente transmitiu para
a alma daquele corpo enrolado junto à parede fugindo do frio, um pouco de luz
que o aquecia.
Ele
seguiu seus passos de todos os dias pensando, será que o segurança mais uma vez
vai enxotar o coitado daí novamente?
Só saberá ao sair para o almoço.
Bem-aventurados
os felizes em suas casas cheios de cobertores, porque deles é o reino do
inferno.
Bem-aventurados
os infelizes sem suas casas vazias de cobertores, porque deles é o reino dos
céus.
Nenhum comentário:
Postar um comentário