Não tendo o que fazer com os dedos impacientes a alisar as letras brancas no
teclado preto, pôs-se a pensar no que deveria eles escrever na sucessão dos
seus movimentos. Isto é, não se preocupou quais letras fosse os dedos
pressionarem, contando que saíssem na tela amorfa do monitor numa sequencia
lógica, assim como a lógica de viver não tem sequencia, pousou o sentimento no
desvão das possibilidades que lhe pudessem concatenar o alinhavo dos seus
dizeres.
Colocou-se
no aconchego da cadeira cujo espaldar chegava até o meio das costas,
reclinou-se na massa quente do meio dia, esticou os braços acima da cabeça, e,
num lânguido movimento proporcionou ao pensamento divagar a esmo por sobre os
papéis em cima da mesa, passando em seguida para os lápis e canetas numa
disputa de ordem em que foi obrigado dar atenção ao telefone, ao grampeador, ao
perfurador, e ao restante de utensílios que sua necessidade, no dia a dia,
veria utilizar.
Num
volteio de cento e cinquenta graus, deslanchou o olhar pelo ambiente meio vazio
de sobrevivência humana, adquirindo consciência dos fatos obrigatórios
correspondentes a cada um.
Não deu importância, tanto aos fatos como a sobrevivência humana, que nesse
momento, aos poucos adentrava na sala interrompendo estritamente o silêncio
amigo de escritores, pintores, poetas e filósofos.
Assim
sendo, deu por encerrada suas divagações, escrevendo o último parágrafo,
clicando em Arquivo, Salvar e, em seguida encerrou o Word, e fechou o micro
fazendo o branco do monitor ser invadido pelo preto.
Sorriu
se satisfeito não sabia, mas sorriu e se congratulou pelo fato de mais uma vez
ter escrito palavras que completasse seu exercício diário.
Sorriu, novamente. Levantou-se e como chegou, saiu para a aventura que lhe
esperava na calçada da vida.
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