Precisava de um tema qualquer. Nada lhe ocorria. Vislumbrava vários
esquemas que acabavam no nada. Começava um, logo apagava tudo. Iniciava outro
que não lhe dava a mesma satisfação quando mentalmente havia criado. Apagava
palavras por palavras sem procedimento definido. Apelava para recursos ilícitos
sem maiores consequências e, mesmo assim, não usufruía adequadamente. Surgia
aos seus olhos um amontoado de símbolos gráficos sem consistência, um amalgama
de ideias sem sentido, escorregando para o péssimo dos péssimos. Discorria
aglomerando a emoção sucessivamente, uma após a outra, na tentativa de acertar
ganhando, dessa maneira, o dia. Nem sempre alcançava sucesso.
Precisava de qualquer tema dentro do seu conhecimento intelectual. Não
importaria com esquemas, regras, teorias, se preocuparia apenas com o conteúdo,
com a mensagem transmitida ao leitor sagaz e compreensível. Teorias são apenas
ferramentas que bloqueiam a criatividade. Regras são empecilhos que se
precisam, pelo menos, ter uma noção e não cair no caos da ignorância literária.
Esquemas são para aqueles que não sabem digerir o fluxo criador, às vezes,
passando para o leitor essa sua dificuldade. É preciso não ficar preso a nada,
se soltar na largueza dos ventos. Captar nas pontas dos dedos a consciente
certeza de escrever, tão somente, por gostar da escrita falada. Regozijar-se
quando se chega ao ápice da simplicidade. O que para ele era a maior dificuldade.
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