Os dedos não se calam, mesmo sem assunto
acarinham a pele da escrita que se esparrama pelo corpo como beijos sedosos
deleitando-se com o olhar do leitor. Visualizam-se
nas manhãs de outono as excentricidades dos compromissos profissionais,
financeiros e consumistas deturpando o laser dos finais de semana.
Deixa-se cair no barroquismo das palavras em
detrimento do conteúdo cultuando a beleza da frase esquecendo-se da
simplicidade.
A criatividade é tomada por lugares comuns no
cotidiano caótico e sofrível perdendo-se nos emaranhados de silogismos de
difícil entendimento.
É necessário livrar-se do diletantismo urbano e
voltar às raízes rurais para realmente ser compreendido pelo grande público e
não somente a um grupo restrito de leitores. Necessário
voltar. Renascer como a Fênix partindo do zero. Se possível despojar dos
clássicos atrofiando a criatividade. Jogar no limbo regras, teorias absoletas
que só deturpam o ritmo das falas. Principalmente quando a mente, grande
censora, não assimila enfaticamente as lições, tanto da vida como da
intelectualidade. Voltar. Sempre há uma volta ao inicio do
aprendizado, ainda nos bancos escolares, carregado de imperfeições que deveriam
durante o trajeto, ser aparado, desbastado. Voltar
ao inicio, ao fragmento secundário do desconhecido colhendo dia após dia, as
experiências que alicerçará o novo escritor. Colherá ele, a cada segundo, pedra
por pedra, o seu castelo de ilusões de literato da internet. Os dedos não se calam, pois com assunto ou sem
assunto, sua carícia deve ser sentida evoluindo a cada leitor, os sentimentos
incrustados em cada letra.
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