Pisca o cursor a espera do meu comando. A espera de palavras que, num passe de
mágica, fará surgir nessa telinha branca podre de consistência eletrônica.
Pisca o cursor e extrai da minha mente as mais terríveis palavras, as mais
tétricas palavras, aquelas que estão no fundo do inconsciente amortecida pelo
tempo de espera.
Cursor, pequeno sinal gráfico eletronicamente,
piscando interruptamente sem ter um destino a não ser o da espera.
Terrível espera tão terrível que
persistentemente num aparecer e desaparecer magnetiza os olhos fazendo as
ideias voarem desordenadamente.
Meu Deus, quantas palavras terminando em
“mente”, até parece proposital. Mas claro que não, é incompetência literária de
quem tem medo de se expor.
Medo de se expor...! Tenho esse medo? Sabe que nunca parei para pensar. Todos
têm medo de alguma coisa, no entanto, querendo ou não estamos nos expondo pelo
simples fato de viver.
Não somos um simples cursor que fica piscando
sem parar, não, não somos, mas agimos mecanicamente sem precisar de alguém
pressionando teclas para nos fazer agir.
Temos um intenso pulsar a ponto de explodir as
veias do corpo.
É não somos como o cursor, mas somos pessoas que ignorando o mecanismo,
mecanicamente nos movemos no dia a dia embrutecido de raiva, ódio e vingança.
Nenhum comentário:
Postar um comentário