Ele está entrincheirado entre o desespero do atraso e a angustia de querer
chegar logo. Percebe que não tem escapatória nenhuma. Por mais que ele tente
não há saída. Todo o dia cai nessa cilada. Como fazer para se livrar disso?
Como fazer para que o relógio do tempo gire de modo confortável para ele e para
todos?
Apesar de que o todo ali não está nem aí para o
relógio do tempo, se preocupam em dormirem um pouco mais na esperança de
chegarem são e salvos ao destino.
Ele não consegue a frieza necessária de
desligamento como se nada se importasse, como se tudo esteja nos eixos. Não
consegue.
No entanto vive dentro de ações que por fora, talvez dê uma impressão de que
tudo esteja dentro da capacidade burguesa, talvez dê essa impressão para quem o
vê todos os dias, ou para quem convive com ele.
Parece que aquela determinação em ter um papel
importante, seja onde for e com quem for, está se diluindo nas margens e rugas
do rosto impassível e desonesto. Não que seja uma desonestidade calculada,
planejada, nada disso, é uma desonestidade ingênua, inocente, despreparada de
qualquer conteúdo que possa lhe dar uma forma concreta.
Oito horas e um minuto. Droga!
Pronto a cilada foi armada e ele mais uma vez
não consegue fugir.
Na comodidade de sempre, de pacato sobrevivente, deixou-se cair. Nunca consegue
escapar, sabe disso.
Ao nascer berrando, como toda e qualquer recém
nascido, logo foi apaziguado pelo braço materno onde a parteira docemente o
colocou. Essa foi à primeira cilada.
Na infância as ciladas foram muitas que nem consegue enumerá-las corretamente.
Na juventude as ciladas foram mais elaboradas impedindo de fazer o que bem
entendesse, sendo bloqueado em seus instintos e sonhos que poderia ser
realizados.
Adulto, casado, entrando na idade do esquecimento aonde sua importância vai se
degenerando, descobriu que a vida foi uma grande e potente cilada, que não
tivera nem uma oportunidade alguma de escapar.
Não lhe deram oportunidade. Sempre foi um
prisioneiro e, como prisioneiro encerrará a vida.
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