Pedaços
de vida presa nos papéis de lembretes. Pedaços que contam uma pequena história.
Que além de contar, refaz lembranças esquecidas nos atos deixados para trás.
Cada pedaço tem em si sua consistência de ser apenas um papel onde, anotado,
está à urgência do fato, a urgência que se promulga para outro dia, ou talvez,
nem seja realizada. Pedaços de papéis constatando a falta de memória.
Constatando letras nem sempre legíveis que nem mesmo o autor as entenda. No
entanto, elas estão impressas nos papéis de lembretes pendurado a sua volta
trazendo-o a realidade. Pouco tempo há para sonhos, pouco tempo há para o lazer
afoito dos fins de semanas. Tempo que não justifica a arrogância demonstrada em
gestos corriqueiros e nem em gestos de completa futilidade. Tudo é uma coisa
só, e todos têm o mesmo destino queiram ou não: à volta ao pó. Do pó viemos e
ao pó regressaremos.
Porém,
os pequenos lembretes não querem e nem sabem disso. Estão ali pendurados por um
gesto mecânico desproporcional ao ato realizado. A mão que o pendurou será a
mesma que o jogará no lixo. E nisso, podemos dizer que há uma realização
completa do ato? Que nesse gesto de jogar o lembrete de papel amarelo está
contida toda uma existência? Existência de quem? Do papel amarelo ou de quem o
jogou ao lixo? O lembrete amarelo com letras inteligíveis cumpriu o seu
destino: lembrar algo que o autor das letras incompreensíveis não queria
esquecer. Completado esse fato, o destino dele, do lembrete é o lixo e, para lá
é que ele é jogado.
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