Tenho medo do escuro e meus olhos passeiam pelo escuro da
tua ausência vibrando no tempo.
Caminho no escuro de pedras pontiagudas espetando a carne
podre.
Caminho no escuro das luzes que não mudam de foco
alimentando as sombras que me perseguem.
Que me devoram.
Tenho medo do escuro ao ouvir o grito do vocalista.
Será que ele sabe o que é ter medo do escuro?
Do escuro suicida que arrasta almas ao profundo abismo?
Não sei.
No entanto o medo do escuro me envolve num manto que não
está perto e também está ao meu lado.
Medo dos meus dedos presos na carne fraca onde os anseios
afloram dos teus olhos escuros.
Tenho medo do escuro e quem não tem ao procurar a luz e não
percebe o seu medo.
É terrível.
Você não percebe quem te olha, mas quem te olha percebe,
disfarça e não diz nada por ter medo do escuro.
E você nota os passos estranhos no sótão escuro da carne.
Você acelera os passos, corre não caminha, sabe que
dificilmente se livrará.
Cansado, dobra o corpo e se entrega...
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