O piano martela as teclas pretas e brancas transformando o sorriso que,
antes festivo, em preocupações impingindo a rotina novamente.
O novo rapidamente torna-se velho e o espocar do champanhe borbulha no
rio poluído.
Pustulentos nacos de dejetos humanos, surrupiados de suas vidas, brilham
no dorso da fome que o povo se alimenta.
Chora a mãe a fome do filho mais novo, enquanto o mais velho, de olho
adulto, pragueja estendendo a mão:
- Uma esmola, por favor,
- Desculpe, não tenho – responde o senhor empertigado no seu terno de
quinhentos reais.
“Que merda! É hoje que apanho da minha mãe, novamente.” – pensa o garoto
amargurado e triste.
Nenhum comentário:
Postar um comentário