segunda-feira, 12 de junho de 2023

Pequenas histórias 58

 

O piano martela as teclas pretas e brancas transformando o sorriso que, antes festivo, em preocupações impingindo a rotina novamente.

O novo rapidamente torna-se velho e o espocar do champanhe borbulha no rio poluído.

Pustulentos nacos de dejetos humanos, surrupiados de suas vidas, brilham no dorso da fome que o povo se alimenta.

Chora a mãe a fome do filho mais novo, enquanto o mais velho, de olho adulto, pragueja estendendo a mão:

- Uma esmola, por favor,

- Desculpe, não tenho – responde o senhor empertigado no seu terno de quinhentos reais.

“Que merda! É hoje que apanho da minha mãe, novamente.” – pensa o garoto amargurado e triste.

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