quinta-feira, 8 de junho de 2023

Pequenas histórias 63

 

Aproximou-se sem ser percebido. Alongou os braços e envolveu num abraço aquele corpo cheio de cansaço. Não se importou com exclamações de espécie alguma, e, muito menos, com o que poderiam dizer ou pensar em dizer.

Abraçou aquele corpo que pedia assim como ele queria. Sentiu a tarde se expandir num glorioso raio de sol avermelhado queimando o horizonte. Ao mesmo tempo, recebeu um beijo na diagonal do prazer, enquanto sua mão deslizava na suavidade da penugem do pêssego arrepiando a pele. Deixou-se ficar na doçura do envolvimento, até que meio sádico, aparou em cada tecido a vibração das moléculas dirigidas a cada corpo. Assim, ficou, por longo, longo, longo tempo. E, no momento em que o sol dissipou toda a luz dando lugar as sombras da noite fecharam-se mais uma vez num abraço, e adormeceram no sono dos justos, colados na satisfação de terem conseguido desfrutar o prazer um do outro.

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