segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Uma cena no metrô.

 Entraram no carro falando alto, gesticulando, com seus cabelos espetados e duros, calças largas com o cós da cueca aparecendo, mostravam a alegria que a juventude depositou neles.

Entraram por duas portas e se juntaram conversando assuntos corriqueiros.
Com suas calças largas, colares de contas, uns atravessados, outros apenas pendurados no pescoço denotavam despreocupação com qualquer coisa.
Em pé, encostado na porta, com o olhar sério, vestindo jeans, camiseta por baixo da blusa aberta, com seus bíceps de academia, entrara na mesma estação que eu, observava os rapazes,

Em frente ao banco cinza, estava uma senhora, baixa, já de idade, talvez com seus cinqüentas anos, miúda, feições sérias, parecia se aborrecer com a alegria dos rapazes.

Ao lado dela se portando com tremenda delicadeza, um rapaz magro, moreno, também de jeans meio desbotada, de pernas cruzadas, com as mãos postas uma em cima da outra no joelho, também observava com os olhos sem virar a cabeça o grupo descontraído.

- Alo, cambio, Juliano onde você está, responde, disse um deles num intercomunicador.
  - Desligue isso, vai acabar com a bateria, falou outro dos rapazes sentando ao meu lado.

Nisso a porta do trem abriu e entrou um casal com crianças no colo.

O que estava ao meu lado se levantou para a mulher com a criança no colo sentar.
Uma hora soltaram um dito espirituoso e percebi que fora endereçado ao rapaz  sentado ao lado da senhora.

O que não foi notado, ou o rapaz não percebeu ou não deu bola, pois deveria já ter passado por momentos iguais a esse.

Levantei-me, pois estávamos chegando à Estação Sé e, ao meu lado a senhora resmungou para que eu ouvisse:

- Que barbaridade! Como pode um pai deixar seu filho se vestir dessa maneira, andar como se fosse mulher. São todos depravados, bagunceiros. Que perdição.
E desceu do metrô. Atrás dela também desci. E não entendi o do porque de sua revolta, se é que era revolta.

Parei na plataforma e olhei para os rapazes, o que estava encostado na porta, os que estavam em pé com sua alegria e, o que estava delicadamente, sentado. Todos eles continuaram viagem e todos olharam para mim como se dissessem:
 - A vida é para ser vivida como cada um quer, sem se importar com o que possam dizer

Sorri mentalmente e concordei.

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