Entraram no carro falando alto, gesticulando, com seus cabelos espetados e duros, calças largas com o cós da cueca aparecendo, mostravam a alegria que a juventude depositou neles.
Entraram por duas portas e se juntaram conversando
assuntos corriqueiros.
Com suas
calças largas, colares de contas, uns atravessados, outros apenas pendurados no
pescoço denotavam despreocupação com qualquer coisa.
Em pé,
encostado na porta, com o olhar sério, vestindo jeans, camiseta por baixo da
blusa aberta, com seus bíceps de academia, entrara na mesma estação que eu,
observava os rapazes,
Em frente ao banco cinza, estava uma senhora, baixa, já
de idade, talvez com seus cinqüentas anos, miúda, feições sérias, parecia se
aborrecer com a alegria dos rapazes.
Ao lado dela se portando com tremenda delicadeza, um
rapaz magro, moreno, também de jeans meio desbotada, de pernas cruzadas, com as
mãos postas uma em cima da outra no joelho, também observava com os olhos sem
virar a cabeça o grupo descontraído.
- Alo, cambio, Juliano onde você está, responde, disse
um deles num intercomunicador.
- Desligue isso, vai acabar
com a bateria, falou outro dos rapazes sentando ao meu lado.
Nisso a porta do trem abriu e entrou um casal com
crianças no colo.
O que estava ao meu lado se levantou para a mulher com
a criança no colo sentar.
Uma hora
soltaram um dito espirituoso e percebi que fora endereçado ao rapaz sentado ao lado da senhora.
O que não foi notado, ou o rapaz não percebeu ou não
deu bola, pois deveria já ter passado por momentos iguais a esse.
Levantei-me, pois estávamos chegando à Estação Sé e, ao
meu lado a senhora resmungou para que eu ouvisse:
- Que barbaridade! Como pode um pai deixar seu filho se
vestir dessa maneira, andar como se fosse mulher. São todos depravados,
bagunceiros. Que perdição.
E desceu do
metrô. Atrás dela também desci. E não entendi o do porque de sua revolta, se é
que era revolta.
Parei na plataforma e olhei para os rapazes, o que
estava encostado na porta, os que estavam em pé com sua alegria e, o que estava
delicadamente, sentado. Todos eles continuaram viagem e todos olharam para mim
como se dissessem:
- A vida
é para ser vivida como cada um quer, sem se importar com o que possam dizer
Sorri mentalmente e concordei.
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