domingo, 24 de setembro de 2023

Uma cena noturna.

 Presenciar um atropelamento não é nada agradável.

Ainda não presenciei um, isto é, até quarta-feira passada. Mas não considero um atropelamento na amplitude que a palavra sugere. O que não deixa de ser um atropelamento. Foi uma cena nada boa para ser vista.

Tinha saído da academia e estava no ponto do ônibus quando o carro bateu de lado nele e jogou-o ao chão. Foi uma batida de raspão, porém de conseqüência mortal. Pois como caiu ele ficou. Nem se mexeu. O carro creio, daria tempo de frear ou desviar. Não sei por que carga dáguas não fez nada disso. Ele também, indeciso, ficou naquele de atravessar ou voltar acabou sendo atropelado.

A rua é uma ladeira não muito íngreme. É o começo da rua, onde os motoristas aproveitavam para dar embalo e subirem a ladeira do Cangaiba e conseguirem subir o viaduto que passa por cima do Tiquatira. A prefeitura colocou perto do Terminal de ônibus da Penha um radar para evitar os abusos. No entanto assim que passam pelo radar, os caras pisam fundo.

O motorista do carro preto não estava correndo exageradamente, o que não se explica o do porque ter atropelado, talvez estivesse distraído ou conversando, vai se saber. O pior foi que logo depois passou um micro ônibus por cima do coitado arrastando-o mais para frente. No momento não pensei em nada, minha mente ficou em branco, acho que foi o único instante em que não pensei em nada. Logo da passagem do micro ônibus foi que me veio à mente:

- Pronto, agora ele vai ficar aí jogado, os veículos vão passar por cima dele até que vire uma massa de carne, ossos e pelos amassados no asfalto.

Duas moças que estavam comigo no ponto do ônibus e que presenciaram também a cena, tiveram pena e puxaram pelo rabo o pobre coitado colocando-o na calçada.

Agora, talvez em algum lugar dessa imensa cidade, haverá uma menina triste que não verá mais o seu cachorro de estimação, fazendo com que seus pais saiam à procura dele. 

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