Na tarde amena o vento leve trazia com ele o anoitecer. Com suaves movimentos amenizava os raios de sol que procurava furar a densa mata por entre folhas e galhos que ladeavam as margens do rio. Onde eles estavam, devido a curva do leito, a água era rasa formando uma pequena praia que o pessoal denominava de prainha. A mata desse lado direito não era muito densa como do outro lado, a margem esquerda. Deitados na areia os dois amigos saboreavam a quietude do momento levemente quebrada pelo deslizar da água. Nisso, Rildo levantou-se, despiu a bermuda e entrou na água incentivando o amigo a segui-lo. Odilon não se fez de rogado, despiu também a bermuda seguindo o amigo.
Enquanto Odilon fazia exercício de rotina como
ele dizia, Rildo, na parte onde a água batia nos joelhos, se espreguiçou
deitando-se com a barriga para cima saboreando as pequenas ondas em sua pele
branca de cidadão burguês. Gostava de olhar as folhas formando, juntamente com
os galhos, as mais diversas formas abstratas que deixava-o cada vez mais
encantado com a natureza. Pensou em compartilhar com o amigo, perguntar-lhe o
que achava de tudo aquilo, no entanto desistiu, Odilon não possuía a
sensibilidade poética para entender a poesia do momento. O amigo era mais pé no
chão, não se interessava por nada a não ser o instante numa praticidade que as
vezes irritava Rildo.
Nisso sentiu a cabeça de Odilon em seu peito.
Sem fazer rodeios começou a beijar e chupar o mamilo direito, o que deixou
Rildo excitado, saboreando os lábios do amigo em sua pele morena. Odilon por
sua vez caprichou na massagem labial. E enquanto bebia o prazer do amigo, sua
mão descia por seu peito, passando pelo umbigo até alcançar o pênis que já
estava duro pronto para receber a massagem carinhosa de Odilon. Este, ao se
cansar do mamilo, foi beijando, chupando, lambendo o peito, a barriga, parou um
pouco no umbigo causando além do prazer um pouco de cocegas, até que abocanhou
o pau rígido de Rildo engolindo-o todo. Gostava de ouvir os gemidos do amigo em
resposta as suas caricias, por isso caprichou com a língua úmida subindo e
descendo o belo mastro. Rildo com o corpo meio erguido, com os cotovelos
apoiados na areia, via a bela cabelereira do amigo no vai e vem extasiante.
Sorriu ao lembrar da primeira vez. Foi uns três ou quatro anos atrás, estavam
com quinze ou dezesseis anos mais ou menos. Tinham ido passar as férias na
fazenda dos avós de Odilon. Dormiam no mesmo quarto, quando numa noite fria
Odilon perguntou se podiam dormir na mesma cama. Rildo concordou e assim o
amigo pulou para a cama dele. E ali, juntinhos, aos poucos o tesão foi
crescendo e quando se viram estavam se masturbando. Surpreso, apesar de Rildo a
tempos desejar uma intimidade maior com o amigo, pediu que Odilon o chupasse, o
que foi logo atendido. Quando Odilon pediu que fosse sua vez, Rildo hesitou,
temeroso sem sabe porque, atendeu ao pedido do amigo. Assim, passaram a noite
até que o sono os vencessem. De manhã ao acordarem repararam que a porta do quarto
estava aberta. Desceram cautelosos esperando alguma bronca, sermão ou algo
parecido. Mas como tudo transcorreu numa boa, sentiram-se aliviado. Ao estarem
sozinhos tiveram uma conversa.
- Escuta, Rildo.
- O que é?
- Não sou gay.
- Também não sou, respondeu Odilon.
- Quero casar e ter filhos.
- Eu também.
E nessa de não ser gay, de querer casar, ter
filhos, todas as vezes que estavam juntos transavam loucamente, como ali na
curva do rio. Isso acontecia mais de cinco anos. Quando Rildo se virou ao
pedido do amigo seu coração gelou.
- Odilon.
- O que?
- Olhe, disse Rildo apontando para a margem
do rio.
Odilon na hora se levantou se afastando o
mais longe possível até a água bater em seu peito. Extático, congelado ouvindo
a palpitação aumentar, Rildo sentiu o gelo do medo invadir o seu ser. Na margem
olhando para eles estava um homem e pelo que perceberam ele fazia tempo que
estava ali em pé observando-os. Odilon se distanciara até a outra margem, pois
na hora do perigo poderia fugir nadando. Já Rildo encontrava-se mais perto do
perigo, pois além de não saber nadar estava petrificado. O homem em si não
apresentava qualquer tipo de ameaça, o que deixava-os medrosos era o que ele
tinha a mão. Numa das mãos estava um rifle e na outra parecia cabeças humanas
que ele segurava pelos cabelos. Rildo tinha os olhos fixos no rosto do sujeito
numa provocação audaciosa. O estranho lentamente depositou no chão da prainha o
rifle e as cabeças e lentamente começou a se despir até ficar completamente nu.
Não tinha a aparência de que fosse da cidade, parecia pessoa do campo para ter
uma compleição física descomunal como ele tinha. E como lentamente se despiu,
lentamente se dirigiu para dentro da água. Ajoelhado, fixo o olhar no membro rígido
que se aproximava dele, deixou-se permitir sentir o cheiro de suor, desejo e
vontade em abocanhar o sexo do cara. Assim que os lábios tocaram na pele do
membro, Rildo ouviu gemidos de satisfação e, com isso o medo que o petrificava
desaparecera. Seus movimentos se desobstruíram da paralisia que o tomara por
uns instantes e, sem um pingo de vergonha, safado passando a movimentos lentos,
subindo até a cabeça vermelha e descendo até o saco grande e peludo. Assim
ficaram até que Rildo saboreou o liquido quente que o estranho jorrou em sua
boca. Depois, num gesto ríspido o homem deu a entender para que ele ficasse de
quatro. Prontamente Rildo atendeu ao pedido. Se preparou pois sabia que ali,
naquele momento não existiria caricias românticas e, sim, brutalidade e foi o
que aconteceu. Num movimento só o membro do cara foi enterrado em seu anus sem
dó e piedade. Rildo soltou um grito profundo e ao mesmo tempo encheu-se de
prazer, pois seu ser desejava uma transa dessa maneira. Sem deixar a peteca
cair, o estranho entrava e saia de dentro de Rildo pouco se importando com o
que ele estivesse sentindo. Ficaram nessa posição por um bom tempo. Da margem
esquerda Odilon se masturbava com os olhos estarrecidos não acreditando no que via.
De repente, o estranho deu um urro de satisfação empurrando Rildo que caiu de
cara na água e ali ficou por momentos curtindo a porra que saia de dentro dele.
Sua respiração ofegante oprimia seu corpo contra o chão do leito do rio. Aos
poucos foi se acalmando. Se levantou. Ao se virar não viu mais o homem. Estava
tudo no normal, quieto. Odilon continuava deitado na areia, estava ainda de
bermuda, nem parecia que entrara na água, completamente seco. Rildo não
entendia o que acontecera. Se aproximou de Odilon que olhando para cima lhe
perguntou:
- O que foi? Está me molhando.
Rildo tentou lhe dizer o que acontecera, não
conseguiu, tremia, sentiu os dentes baterem um no outro.
- Está com frio?
- Sim, estou.
- Então vamos embora.
- Vamos que está anoitecendo.
Depois de pegarem as coisas, antes de saírem
da prainha, Rildo olhou para traz. Imaginou ter visto dois olhos entre as
árvores. Girou o corpo e saiu apressado no encalço do amigo.
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