sábado, 6 de janeiro de 2024

O sol trespassa

 

O sol trespassa o vidro da janela e alcança o pano ao sentir a umidade que aos poucos vai deixando de existir.
O pano úmido recebe pacificamente os raios do sol como se fosse à derradeira vontade natural das coisas.
O pano sabe que em suas fibras sintéticas ou de lã, que foi deixado ali jogado recebendo os raios de sol, por puro desleixo ou por ser ele apenas um trapo servirá apenas para coisas insignificantes.
Seu momento de apogeu, de glória em que todos o admiravam acabou, tornou-se uma pequena mancha impressa no passado de quem o usou.
Não reclama se resolvesse todos os panos ainda estariam perambulando a encher o mundo de vários padrões, alguns ultrapassados, outros ignorados, por isso não reclama, reconhece sua vez já era.
Assim sente nas fibras uma por uma se enfraquecendo, se deteriorando, perdendo a solidez que havia em suas cores pulsantes.
As cores tornaram-se opacas, perderam o viço dos olhares encantados com a pureza elegante quimicamente projetado para embelezar quem dele usasse.
Sentindo que vai ser removido de lugar, as fibras se encolhem assustadas esperam o que irá lhes acontecer.
O pano consciente não se apavora, passa tranqüilidade para as fibras que se acalmam e se recolhem no aconchego de suas forças.

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