Ela estava
inclinada para frente, à cabeça entre os joelhos apoiada nas mãos. O cabelo
comprido não deixava perceber o que se passava com ela. Se estava com mal estar
ou vomitando em algum saco. Não dava para ver o que era. O seu companheiro de
viagem babava de sono com a cabeça encostada ao vidro. Voltei os olhos para o
livro que estava lendo. Não queria vomitar junto com ela caso estivesse
realmente vomitando. Mais tarde, olhando-a de relance, dormia, vamos dizer o
sono dos justos, se é que dá para dormir durante o trajeto do ônibus.
Eu mesmo me peguei cochilando umas duas vezes com o
livro escorregando das minhas mãos. Uma das vezes acordei com um princípio de
ronco. Abri os olhos e fiquei por uns segundos de cabeça baixa imaginando quem
poderia ter ouvido. Já imaginou, cair num sono e roncar? Nem quero pensar. Ou
para evitar isso, é deixar a cabeça pender para frente. Mas ai ocorre outro
inconveniente. A língua pende para fora da boca e os dentes inconscientes
mordem a língua. Já me aconteceu isso em casa assistindo filme na televisão.
Acordei com o peito da camiseta molhada e a língua dolorida. Caçamba! Terei que
me policiar para que essas coisas não aconteçam.
Hoje no meu segundo dia de fretado, o ônibus foi
daqueles que tem a porta no meio, sabe qual é. Aqueles que você olha e imagina
que os passageiros estão lá em cima e, quando você entra tem-se a impressão que
se está entrando numa caverna escura. E ao entrar você nota ao lado direito da
porta lê: sanitário. Quer dizer, todo mundo percebe quando você entra e sai do banheiro.
Mais um
inconveniente: cheguei ao serviço às oito horas e quinze minutos. Espero que o
gestor – palavra bonita: gestor em substituição a chefe – compreenda o do
porque do meu atraso.
Assim espero.
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