quinta-feira, 28 de março de 2024

Diário imbecil 12.09.2007

  

Bom bamos dizer ou vamos dizer? Não interessa como, o importante é dizer, certo? Mas vamos dizer dentro da ortografia, certo? Portanto para que seja um diário imbecil tenho de escrever imbecilidade ou sobre imbecilidade, certo? E olhe que de imbecilidade estou rodeado a ponto de me julgar um imbecil também. Primeiramente todo bom escritor antenado com problemas, dele ou envolvendo ele ou do seu país, não será difícil escrever, certo? Para começo de conversar não sou um bom escritor, sou um imbecil escritor ou escritor imbecil, o que vem dar no mesmo, certo? E outra coisa, não sou antenado com merda nenhuma, pouco dou atenção ao que ocorre a minha volta, principalmente o que dizem; não ligo televisão para ver os noticiários, não leio jornais e nem revistas, cansei de tanta imbecilidade. Agora o que é preciso é ter tato para escrever, certo? Não posso falar sobre imbecis, senão minha lista de inimigos aumentara, então tenho que falar sobre imbecilidades sem envolver os furibundos imbecis, não é mesmo?

Por exemplo, o futebol! Não é de uma imbecilidade enorme? Um bando de marmanjos correndo atrás de um pedaço de couro na forma esférica enquanto um marmanjo de preto - era de preto porque agora cada um se veste como quer da maneira mais espalhafatosa possível, só não se parecem com palhaço porque não pintam a cara e nem tem aquela bola vermelha no nariz - não deixa que peguem a bola com a mão, sem contar os macacos que ficam nos poleiros de concreto gritando os maiores palavrões. Não é de uma imbecilidade? 

Ta certo sei o que me dirão: “Ora futebol é esporte!”, sei, não deixa de ser, mas pergunto: “É esporte quebrar a perna? É esporte morrer no campo de batalha? É esporte manipular resultado? É esporte os macacos brigarem entre si no poleiro? É esporte ir já com a intenção de fomentar a guerra entre as facções? É esporte lavagem de dinheiro?” Bom se responderem que é esporte, eu digo que o estádio  é parecido com as arenas no antigo império romano, sem tirar e nem por.

Conheci um cara que pintou o quarto com as cores do time. Não perdia um jogo, fosse a onde fosse, faltava ao trabalho, mas não faltava aos jogos. Preparava-se para a batalha, fazia dos clipes sua arma. Arremessava com a ajuda do elástico nos outros. É esporte isso? Ele era um competente imbecil. Trabalhávamos junto. Vivia comendo a gelatina que era usada para copiar as folhas do diário naqueles livros grandes. Chupava Sonrizal puro, sem água, colocava na boca e mandava goela a baixo. Vivia estudando japonês por estudar, por gostar.

Não me lembro dos anos de 1958 e 1962, era criança lá na minha terra natal Rio Claro, mas em 1970, morando já aqui em São Paulo, assisti aos jogos, lia os comentários, ouvia os bate bocas pela televisão, mas 1970 foi o ano supremo do futebol, ainda se jogava se suava defendendo a camisa gloriosa, a canarinho. E hoje? Você acha que os jogadores suam a camisa, defendem a canarinho? Ou será que jogam por dinheiro? Jogam pelos milhões que ganham dos patrocinadores, dos clubes, dos prêmios, e a camisa onde fica? No fundo da gaveta esquecida. O dinheiro como sempre, matou a arte futebolística, a arte de se gostar de uma bola, de fazer uma jogada excelente, visando apenas o gol.

Hoje um moleque sai da várzea ganhando os tubos em dinheiro e o que acontece com ele? Se não tem uma mente firme, decidida, o coitado se perde com tanto dinheiro. Em minha opinião deveriam era ter um salário como todo empregado tem. Futebol não é um emprego? Então, se estipula um salário, que seja dez mil reais, se o time perder desconta um x do salário, e nada de prêmio ou bonificação e nada de patrocinador. Quero ver se esses malandros não jogariam! Claro que jogariam, até mais talvez.

Outra coisa, se o time vai mal, perde não ganha títulos, os macacos dos poleiros de concretos não deviam ir aos estádios. Já pensou o estádio vazio de torcedores, não haveria renda, não haveria distribuição de propinas, e como ficaria? A meu ver o time se esforçaria, pois para o jogador, além do dinheiro, é preciso de platéia, de alguém que aplaude tanto as boas jogadas como as más.

Bom era isso o que tinha a dizer nesse diário imbecil, até o próximo, ah! Um bom fim de quarta-feira, certo?

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