Bom bamos dizer ou vamos dizer?
Não interessa como, o importante é dizer, certo? Mas vamos dizer dentro da
ortografia, certo? Portanto para que seja um diário imbecil tenho de escrever
imbecilidade ou sobre imbecilidade, certo? E olhe que de imbecilidade estou
rodeado a ponto de me julgar um imbecil também. Primeiramente todo bom escritor
antenado com problemas, dele ou envolvendo ele ou do seu país, não será difícil
escrever, certo? Para começo de conversar não sou um bom escritor, sou um
imbecil escritor ou escritor imbecil, o que vem dar no mesmo, certo? E outra
coisa, não sou antenado com merda nenhuma, pouco dou atenção ao que ocorre a
minha volta, principalmente o que dizem; não ligo televisão para ver os
noticiários, não leio jornais e nem revistas, cansei de tanta imbecilidade.
Agora o que é preciso é ter tato para escrever, certo? Não posso falar sobre
imbecis, senão minha lista de inimigos aumentara, então tenho que falar sobre
imbecilidades sem envolver os furibundos imbecis, não é mesmo?
Por exemplo, o futebol! Não é de
uma imbecilidade enorme? Um bando de marmanjos correndo atrás de um pedaço de
couro na forma esférica enquanto um marmanjo de preto - era de preto porque
agora cada um se veste como quer da maneira mais espalhafatosa possível, só não
se parecem com palhaço porque não pintam a cara e nem tem aquela bola vermelha
no nariz - não deixa que peguem a bola com a mão, sem contar os macacos que
ficam nos poleiros de concreto gritando os maiores palavrões. Não é de uma
imbecilidade?
Ta certo sei o que me dirão: “Ora
futebol é esporte!”, sei, não deixa de ser, mas pergunto: “É esporte quebrar a
perna? É esporte morrer no campo de batalha? É esporte manipular resultado? É
esporte os macacos brigarem entre si no poleiro? É esporte ir já com a intenção
de fomentar a guerra entre as facções? É esporte lavagem de dinheiro?” Bom se
responderem que é esporte, eu digo que o estádio é parecido com as arenas no antigo império
romano, sem tirar e nem por.
Conheci um cara que pintou o
quarto com as cores do time. Não perdia um jogo, fosse a onde fosse, faltava ao
trabalho, mas não faltava aos jogos. Preparava-se para a batalha, fazia dos
clipes sua arma. Arremessava com a ajuda do elástico nos outros. É esporte
isso? Ele era um competente imbecil. Trabalhávamos junto. Vivia comendo a
gelatina que era usada para copiar as folhas do diário naqueles livros grandes.
Chupava Sonrizal puro, sem água, colocava na boca e mandava goela a baixo.
Vivia estudando japonês por estudar, por gostar.
Não me lembro dos anos de 1958 e
1962, era criança lá na minha terra natal Rio Claro, mas em 1970, morando já
aqui em São Paulo, assisti aos jogos, lia os comentários, ouvia os bate bocas
pela televisão, mas 1970 foi o ano supremo do futebol, ainda se jogava se suava
defendendo a camisa gloriosa, a canarinho. E hoje? Você acha que os jogadores
suam a camisa, defendem a canarinho? Ou será que jogam por dinheiro? Jogam
pelos milhões que ganham dos patrocinadores, dos clubes, dos prêmios, e a
camisa onde fica? No fundo da gaveta esquecida. O dinheiro como sempre, matou a
arte futebolística, a arte de se gostar de uma bola, de fazer uma jogada
excelente, visando apenas o gol.
Hoje um moleque sai da várzea
ganhando os tubos em dinheiro e o que acontece com ele? Se não tem uma mente
firme, decidida, o coitado se perde com tanto dinheiro. Em minha opinião
deveriam era ter um salário como todo empregado tem. Futebol não é um emprego?
Então, se estipula um salário, que seja dez mil reais, se o time perder
desconta um x do salário, e nada de prêmio ou bonificação e nada de
patrocinador. Quero ver se esses malandros não jogariam! Claro que jogariam,
até mais talvez.
Outra coisa, se o time vai mal,
perde não ganha títulos, os macacos dos poleiros de concretos não deviam ir aos
estádios. Já pensou o estádio vazio de torcedores, não haveria renda, não
haveria distribuição de propinas, e como ficaria? A meu ver o time se
esforçaria, pois para o jogador, além do dinheiro, é preciso de platéia, de
alguém que aplaude tanto as boas jogadas como as más.
Bom era isso o que tinha a dizer
nesse diário imbecil, até o próximo, ah! Um bom fim de quarta-feira, certo?
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