Bom, vamos vai uma vez despertar a imbecilidade entrouxada nas miríades
de pulsões dessa manhã que, só não é brava, porque não está chovendo. A
cinzenta claridade corrompe a sensação de liberdade onde as imbecis cortinas
fechadas provocam claustrofobia amarga e obriga os passos a serem contidos e
aos poucos envenenados pela maldita sobrevivência.
Essa merda já disse várias vezes, de várias maneiras diferentes, com
outro ângulo, outra linha de pensamento, mas tudo igual, apenas mudando uma
palavra aqui, outra li e nada além de um escrever atrás do outro, para
comprovar a merda do que escrevo.
Por mais que os órgãos fiquem atentos, com a sensibilidade aprimorada a
ponto de captar até o invisível – que muitos procuram não ver – a crise de
falta de inspiração surge, atrofia o pensamento que se esforça em lembrar
palavras, frases, até sentenças inteiras, mesmo sabendo que o perdido não está
totalmente perdido, apenas é preciso acionar a palavra “procura” no catálogo
mental e trazê-la de volta, seja o que for. O que nem sempre funciona, pois
truncado pelo mecanismo constante, esse processo falha sempre no momento que mais
se deseja. A continuidade dos gestos mata os próprios gestos tornando-os
cansativos, indiferentes a beleza do podre, fornecendo-lhes apenas a beleza
corriqueira de quem não sabe viver com múltipla escolha.
A cidade não desperta amanhece
febricitante de sons ininterruptos cujos mortos vivos caçam as iguarias
deixadas nos lixos da vida diurna. Ela oferece sua música que para alguns, é
sempre a mesma, mas para outros existe pequena diferença moldando o sentir que
eles carregam desde o nascimento; outros ainda, mais detalhistas, descobrem e
sabem os diferentes tons, as melodias que rolam nos escondidos cimentos e
ferros e argamassa individual, as variações impingidas no preto asfalto marcado
por pneus enfurecidos retratando paranóias nem sempre curáveis; há ainda, a
música da fome cortando peles descarnadas pelo vicio maligno em viver.
E nesse vicio poucos conseguem alcançar o que o futuro promete. Poucos
se sobressaem, talvez mediocremente ou se anulando aos gostos consumistas do
sucesso barato e nada fácil. Do sucesso que alça e ao mesmo tempo derruba sem
pestanejar e sem dó. Quem quiser que procure seu psicanalista. Já tenho o meu
nesse escrever mambembe.
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