sexta-feira, 15 de março de 2024

Eficiente mantra

 Há, correndo pela Internet um vídeo onde uma atriz, que fiquei sabendo depois, canta uma música de um só verso, onde, por quase dois minutos ela diz: Vai tomar no cu.

Quando da primeira vez que ouvi, achei de mau gosto, ainda é, mas não sabia que faz parte de um show sobre essa anatomia ignorada e até desprezada do corpo.
Bom, quer dizer, tem alguns sádicos que sexualmente não o desprezam, pois sendo a região mais erógena nada mais que estimulá-la, não é verdade.  Como diz aquele filosófico partidário da Filosofia Transcendental para o Prazer Máximo em Todos os Sentidos: entre quatro paredes vale tudo. Concordo, mas com certas restrições, pois essa região não foi feita para ser penetrada, no entanto, prazer é prazer, cada um sinta como acha melhor.

Como aquele sujeito que conheci. Gostava na hora do coito que a parceira introduzisse o dedo no ânus. Com isso o prazer era mais intenso, com o qual concordava a parceira. Bom, cada um com o seu prazer se divertem conforme a situação.

Voltando à música. Outro dia na plataforma do metrô uma matrona a minha frente começou se invocar por estar enconchando-a. A culpa não era minha, estava sendo empurrando para cima dela. Por infelicidade quando o metrô parou na plataforma fui carregado e acabei por ficar atrás dela. Volta e meia ela se virava, se mexia, tentando sair da posição ingrata que estava. Permaneci na minha, mas estava vendo que levaria uma bronca a qualquer momento. O que estava me irritando. Foi então que mentalmente comecei a cantarolar: Vai tomar no cu, calmamente, sem um propósito definido, sem que fosse exclusivamente voltado para ela. Não é que a irritação que ela me provocava sumiu. Pouco me lixei com o que se passava com ela ou que estivesse querendo se livrar da situação. Sorri num mover de lábios até que provocativo o que fez com que ela me olhasse de viés sem entender nada.

Percebi que essa esdrúxula música funciona como um mantra. Repetindo-a várias vezes você se controla, fica mais calmo e aquilo que o atazanava, desaparece. Depois dessa situação no metrô, repeti a experiência em vários momentos, tanto em casa, como no serviço e, funciona.

Porém há uma regra. Você não pode dizer: vai tomar no cu, como ofensa, dirigida especialmente à pessoa que lhe causou desaforo ou quer que seja. Você tem que proferi-la como uma música qualquer, como um mantra, despreocupado, sem rancor, sem ódio, sem que seja dirigida a alguma coisa ou alguma pessoa.

Tente, tente, faça a experiência e veja o resultado.

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