Estou me rendendo. Aos poucos. Sei que serei vencido. Não tenho mais o que lutar. E para que? Além de ser seguro, quer dizer, não há nada seguro, mas convenhamos que na prática seja mais seguro. Então porque relutar? Seguro e sossegado. Agora sim, sossegado garanto que é. Rápido? Não é rápido, lento até demais, creio que dá para ler um livro de oitocentas páginas em uma semana. Isso é o que me preocupa. Não, não o ler, mas a lentidão entende? Como gosto e estou acostumado chegar, vamos dizer, um pouco cedo, o que dá tempo para escrever os meus bons dias e ler e responder os e-mails. Agora se eu passar a pegar o fretado não terei esse tempo livre, entende?
Hoje fiz uma experiência e, por causa dessa experiência é que escrevo essa crônica. Tomei o fretado era mais ou menos seis horas e cinqüenta minutos. Ele passou pela Penha, pegou a Radial, passou pelo Parque Dom Pedro, Senador Queiroz, a São Luiz, passou pela Praça da República, subiu a Consolação e depois a Paulista. Encurtando, eram oito horas e cinco minutos descia em frente ao Conjunto Nacional. Quando entrei no ônibus falei para minha filha:
- Tenho a impressão que não estou indo trabalhar, mas sim, indo para outro lugar, numa viagem longa.
Tudo bem que eu diga vou a um passeio ao invés de ir trabalhar. Mas convenhamos, é diferente você dizer que está indo a passeio ao invés de trabalhar do que se sentir como se estivesse indo a passeio e vai mesmo a trabalho. Entende? Não sei se consegui me explicar.
Apenas sei que ao chegar no Parque Dom Pedro me sentia incomodado, as pernas começaram a formigar, virava de um lado não me sentia bem, virava do outro o bem que estava não era o que eu queria, enfim, me sentia incomodado.
Bem, vamos ver, estou sendo conquistado a experimentar por um mês, vamos ver no que vai dar. E pode acreditar dessa experiência sairá uma ou duas crônicas, assim espero.
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