Eram quatro horas mais ou menos quando a chuva começou. Foi um temporal, não medonho, mas um temporal com queda de energia umas duas vezes. Rapidamente desliguei o micro. Apreensivo, ousei dizer:
- Acho melhor não irmos.
- Se o senhor não quer morrer não fale isso, chova pedra ou canivete, nós vamos, disse minha filha.
- Certo, mas tinha que chover agora, não podia pelo menos chover quando estivéssemos lá?
- Até cinco horas vai passar, leva uma blusa, estou levando essas duas capas de chuva.
- Vou ligar para o Júnior.
Do celular não foi possível completar a ligação. Dava como ligação não autorizada. Apelei para o fixo.
- Alô! Júnior?
- Sim.
- E aí, vamos ao show ou não vamos?
- Vamos sim, porque não ir?
- Porque aqui ta um temporal...
- Aqui não está chovendo. E estou uns dez minutos do estádio, lá também não deve estar chovendo.
- Então acho que é só aqui.
- Vai ver que sim.
- Falou, a gente se encontra.
- Certo. Até mais.
E, realmente, às cinco horas, a chuva amainara, isto é, chovia, mas chuva fina, tipo molha trouxa.
Saímos de casa às cinco horas e poucos minutos, o show seria as vinte e uma hora, tínhamos, portanto bastante tempo não precisaria correr.
Mesmo assim, uma apreensão se fez notar, principalmente em mim, pois quando se ouve falar em show, principalmente em estádio, logo o que vem a mente da gente é empurra-empurra, aglomeração, fila enorme, bagunça, enfim tudo o que é característico nesses tipos de espetáculos.
Os portões já tinham sido abertos quando chegamos. Para a arquibancada não tinha fila muito grande. Entramos numa boa. Sossegado. A arquibancada estava cheia, mas não superlotada. Estávamos procurando um lugar quando dei de cara com o Júnior.
- Vi você passando lá embaixo. Eu e meu primo estamos ali.
Fomos com eles. Dei uma olhada em geral. Tinha bastante gente, mas não era uma coisa exagerada. A pista estava pela metade. As cadeiras cobertas e as descobertas estavam praticamente ocupadas. A arquibancada estava no meio termo. Tinha gente de todo tipo, uns mais estranhos que os outros, todos vestindo a camisa do Evanescence, mas vi camiseta de Judas Pirest, Iron Made, Black Sabat, Angra, Motorhead, Slipknot entre outros.
A chuva ora caia fina, tipo garoa, ora aumentava, mas nada que pudesse ser um temporal. Era um vestir e desvestir a capa..
Às sete horas começou o show de abertura com as Luxurias. Grupinho ruim, onde a vocalista tentava de todas as maneiras esquentar o pessoal. Depois de meia hora de show, saíram debaixo de: Fora! Fora!
A platéia por qualquer coisa se assanhava, dava gritinhos, assobios, berros, gritos insanos. Tinha umas garotas, pivetes, atrás de nos que gritavam por qualquer motivo, parecia que uma queria gritar mais que as outras.
Às oitos horas entrou outro grupo, que ninguém sabia quem era. Depois fiquei sabendo, era uma banda Uruguaia, os Silicon Fly. Cantava ora em castelhano ora em português. Num momento, o vocalista gritou: Vocês querem mais uma música. Ouviu um ensurdecedor grito geral de: Fora.
Às vinte e uma hora começou o show do Evanescence. Foi uma empolgação geral, ninguém mais ficou sentado, ninguém mais se preocupou se chovia ou não, todos estavam voltados para o palco.
Amy Lee deu o recado com competência, com desenvoltura, gingado o corpo de um lado para o outro dominando totalmente o palco. Quando os acordes da música “Luthimia” soaram para o deleite da platéia, foi uma comoção geral, ao mesmo tempo um mar de balões brancos agitavam o ar numa empolgação só. A magia da música unia todo mundo. Foi estupendo, contagiante.
Por uma hora e vinte minutos, Amy Lee e seus companheiros dominaram o espetáculo fazendo o povo cantar junto umas duas músicas.
O único senão, a meu ver, foi o espetáculo curto, levou mais ou menos uma hora e quinze minutos, fora isso nota dez.
Após o término o povo não queria sair do estádio, foi preciso que voltassem e apresentassem o bis com mais duas músicas, o que agradou imensamente os fãs.
As dez, mais ou menos, dez e quarenta e cinco minutos, estávamos saindo do estádio satisfeitos com o espetáculo, mas com a sensação de que algo ainda faltava, como se tivéssemos visto um demo, uma pequena amostra do que é o Evanescence.
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