Quinze minutos parado. Com a mão no ar esperando o
momento certo para que seus dedos feios e grossos pressionassem as teclas
escuras e mortas do teclado. Assim, por quinze minutos ficou. Como estátua.
Petrificado. Levou a mente a se esvaziar caindo num vácuo sonoro onde não
encontraria apoio nenhum. Não se importou, aliás, não se importava com mais
nada, mas, ao mesmo tempo em que formulou esse “não se importava com mais
nada”, seu cérebro lá das profundezas do inconsciente revidou: “Será que não se
importa com mais nada mesmo?” Isto é, tentava demonstrar que não se importava
com mais nada, contudo, mesmo que superficialmente havia sempre alguma coisa
que o importunava. Se assim fosse, não escreveria palavras mortas como
justificativa de sua existência poética. O qual ele colocava em questionamento.
Toda vez que terminava de escrever um texto, sendo poema, prosa, conto ou
crônica, vinha à mente a pergunta cruciante: “Isto que escrevi pode ser
considerado literatura?” Sim e não. Dependia do momento, do dia, ou mesmo da
conclusão do texto. Disseram-lhe uma vez: “Se quem o ler gostar, então está
fazendo literatura”. Poderia considerar isso como verdadeiro? Não sabia.
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