sexta-feira, 19 de abril de 2024

Bom dia quinze minutos parado

  

Quinze minutos parado. Com a mão no ar esperando o momento certo para que seus dedos feios e grossos pressionassem as teclas escuras e mortas do teclado. Assim, por quinze minutos ficou. Como estátua. Petrificado. Levou a mente a se esvaziar caindo num vácuo sonoro onde não encontraria apoio nenhum. Não se importou, aliás, não se importava com mais nada, mas, ao mesmo tempo em que formulou esse “não se importava com mais nada”, seu cérebro lá das profundezas do inconsciente revidou: “Será que não se importa com mais nada mesmo?” Isto é, tentava demonstrar que não se importava com mais nada, contudo, mesmo que superficialmente havia sempre alguma coisa que o importunava. Se assim fosse, não escreveria palavras mortas como justificativa de sua existência poética. O qual ele colocava em questionamento. Toda vez que terminava de escrever um texto, sendo poema, prosa, conto ou crônica, vinha à mente a pergunta cruciante: “Isto que escrevi pode ser considerado literatura?” Sim e não. Dependia do momento, do dia, ou mesmo da conclusão do texto. Disseram-lhe uma vez: “Se quem o ler gostar, então está fazendo literatura”. Poderia considerar isso como verdadeiro? Não sabia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...