quarta-feira, 3 de abril de 2024

Descrever, como me é difícil

  

Quero descrever os raios que banham teus cabelos após uma noite de suave e gostoso amor.

Descrever como as gotas deslizam pelo teu corpo com cheiro almíscar de deusa satisfeita pelo intenso ardor que fluiu entre nós intensamente.

Descrever o instante surreal que elevou teu corpo acima do êxtase atingindo o ponto máximo do prazer.

Descrever, ah! Como gostaria, se os deuses mo permitissem, escrever palavras divinas que viessem às pontas desses dedos longos pressionando essas teclas pretas e, alcançassem seu objetivo.

Descrever, ah! Como me é difícil, descrever o que deveria ter sido e ao mesmo tempo não foi.

Vivo me dilacerando nos porquês sem ter a certeza de que seja o que penso ser realmente verdadeiro ou não.

Nesse dilacerar, cato os pedaços do dia numa bandeja de dúvidas e angustia, ajeitando as dores nos seus lugares em todas as manhãs.

Assim, num catar, emendar, costurar os sentimentos bi partidos pela incerteza, vou reconstruindo o destruído que em mim viceja como parasita se alimentando da seiva alheia.

Descrever!... Descrever é ótimo quanto se tem à força do mundo em suas veias envenenadas.

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