segunda-feira, 1 de abril de 2024

Despedida.

 

No asfalto o sol brilhava beijando os contornos das coisas que, ao evaporar-se em bolhas de suores, destilava os sentimentos partidos e repartidos.

Sentia-se abatida no desencontro das linhas, cuja direção se propusera seguir.

Ludmila sabia o que não poderia negar o que sempre soubera, que seu eu é que não admitia que, entre os dois, havia um amor forte demais.

Ludmila, a esquiva Ludmila, como a chamavam, se rendeu ao inevitável, simplesmente se rendeu, não tinha força suficiente para segurar o sentimento dos dois. Não conseguia nem segurar os seus...

Na verdade, ela se equilibrava nos sentimentos deles, ora num ora no outro, mantendo assim a balança no centro, nunca deixando pender mais para um do que para outro.

Renegada se colocou em segundo plano confiante de que fazia o melhor tanto para ela como para eles.

Satisfeita não estava é claro, no entanto fazia de tudo para demonstrar. O que poderia fazer?

A voz pousada do alto falante anunciou a hora do vôo. Aproximava o momento da despedida.

- Vamos Pedro – disse Armando.

- Vamos – respondeu Pedro.

- Ludmila tem certeza que é isso que você quer?

- Sim, é isso mesmo – disse meio nervosa com a carta na mão.

- Agora você está sozinha...

- Sozinha sempre estive.

 - Tinha sua mãe.

- A mãe coitada, doente não era companhia, não acha?

- Venha com a gente.

- Não, pai, impossível. Não quero ser empecilhos entre vocês.

- Que isso, Ludmila. Amamos você.

- Eu sei, precisou depois de dez anos para me dizer isso, não é?

- Olha como fala com o pai – ameaçou Armando.

- Ela esta com razão.

Mais uma vez o alto falante anunciou a hora do vôo.

 - Adeus, filha se cuida.

- Cuida-se o senhor também.

- By mana.

- By mano, cuida do pai e se cuida também.

- Falou.

Beijaram-se rapidamente. Ludmila não esperou que eles sumissem na poeira de multidão. Apressada saiu do aeroporto. Quando estava na calçada é que lembrou a carta. Esquecera de lhes entregar a carta.  Que droga!

Jogou-se para dentro de um táxi e recolheu a teimosa lágrima que tentava escorrer na palma dos seus sentimentos.

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