sexta-feira, 31 de maio de 2024

A música bate no ambiente

  

A música bate no ambiente como pedra pontiaguda furando a carne do inconsciente que teima em guardar a saudade de algo que não sei se terei mais.


É uma batida seca em contrapartida com a voz do vocalista aguda extravasando a fúria numa letra incompreensível – não sei inglês – cheia de conotação simbólica de raiva e ódio.


Soa a voz do vocalista em gritos histéricos querendo sobrepujar os instrumentos, principalmente a guitarra solo e a bateria, tornando quase num amalgama só inteligível.


Entrego-me a esse som despudorado, deixo-me levar ao profundo domínio de me sentir num poço raso de angustias e dúvidas e saudades.


E nesse deixar-me levar procuro no horizonte, onde o sol brilha com mais intensidade, um pouco do seu semblante que há muito tempo não o vejo.


Estico meu corpo no deserto vazio de sua alma a flanar por caminhos diferentes ao meu.


E num gesto suave, toco tua pele fresca e sedutora, acariciando a minha cansada de não ter mais a tua.

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