O desprendimento conduz meus passos na burocrática vida longe de você.
Passos que outrora pisaram
despreocupados a areia da paixão sem perceber o que me alimentava, hoje, pisam
a areia fina sentindo entre os dedos sujos pelo infortúnio, o amor esvaindo nas
ondas levando-nos cada um para a sua praia.
Ao longe vejo um brilho ofuscante,
aproximo, noto uma concha branca enterrada na areia banhada pelo sol da tarde.
Instintivamente levo a concha ao
ouvido, ouço palavras arrebentando-se nas pedras banhadas pela espuma da
angustia.
Presto atenção, como pequenas pedras
esmerilhadas no vai e vem das ondas, escuto uma voz sussurrando: me ame, me
ame, repetidas vezes.
Acelerado o coração reage fortemente,
a esperança cresce, a vida torna-se imensa, descomunal e pequena.
Tomo uma decisão, jogo a concha de
volta ao mar.
Recolho meus passos, a realidade queima mais que o sol nessa tarde de outono.
Nenhum comentário:
Postar um comentário