sábado, 25 de maio de 2024

A simpática e bonita Judite.

 

Ela era bonita, como era! Era não porque tenha morrido, mas é que não a via mais de anos. E naquela época, logo que entrou na firma, em que viu o grande letreiro branco na parede do enorme prédio, determinou que aquele seria seu último emprego, caso fosse admitido, só sairia dali aposentado. E até o momento estava cumprindo o prometido. Como estava dizendo, naquela época, fazia pouco tempo de casado, talvez uns oito meses mais ou menos, sua esposa, quando estavam no aconchego dos lençóis, lhe perguntou:
- Onde você trabalha tem alguma mulher bonita?

Sem pestanejar respondeu:

- A Judite.

- É bonita?

- Sim, uma morena de cabelos lisos, atraente, simpática, corpo fenomenal, os homens babam por ela.

- E você, não baba?

- Não.

- Você se pudesse casaria com ela?

- Não.

- Por quê?

- Por que ela é muita areia para o meu caminhão.

- Mas se houvesse sei lá o que, uma maneira, você se casaria com ela?

- Não, já lhe disse que não.

- Por que?

- Por que meu coração escolheu você e não ela.

Na verdade, pensou ele, nossos caminhos eram diferentes e ele não tinha um padrão de vida que ela estava acostumada a ter.

Naqueles dias em que a firma ficou no prédio da Rua Sílvia, poucas vezes a via. Pois trabalhando no décimo primeiro andar, saindo só para o almoço e no término do expediente, raramente a via. No primeiro ano de amigo secreto até pensou que ela tivesse tirado ele, mas não fora. Aliás, avoado como era e facilmente em esquecer os acontecimentos, não se lembrava nem de quem ele havia tirado.

Depois que a firma veio para o Conjunto Nacional é que passou a vê-la mais constantemente. Sendo ela secretária do Moreno, gerente da auditoria, trabalhando numa sala de vidro, quando precisava mandar os documentos para o arquivo morto, a intimidade entre eles foi crescendo. E quando ele começou a escrever os bons dias, Judite vinha sempre comentar com ele, principalmente quando se referia aos acontecimentos de caserna que relatava.
Além do que, na implantação do sistema Metrofile, ela o chamava para que lhe explicasse os macetes e acabava fazendo o serviço dela. Por mais que explicasse, Judite não entendia ou, fazia que não entendia, nunca soube ao certo. Nas primeiras vezes pensou:

- Mas que cabeça dura, não entende um processo fácil de fazer.

Porém, mais tarde compreendeu, Judite fazia mesmo de propósito por algum motivo o qual não soube qual era. Talvez para ter alguém com quem conversar durante o expediente ou, para tirá-lo do serviço, pois vivia sempre dizendo:
- Ih! Não esquenta, fique um pouco mais aqui, assim você muda de ar, de ambiente.
E isso passou a ser quase constantemente, apesar de não ter muitos documentos, a auditoria estava como todas as outras repartições no processo de eliminação de papéis e armários. A partir desses momentos, conhecendo-a mais intimamente, ele passou a admirá-la, a gostar mais dela.

Um dia veio à bomba que surpreendeu a todos. Judite tinha sido demitida. Foi uma consternação entre os seus amigos íntimos. Ele ficou triste, sem saber o que dizer tímido como era o que conseguiu foi escrever um poema para ela.
Um poema que ele guarda com carinho.

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