Se a vontade é branca, a amizade é azul,
a vida é vermelha. Isto porque todas as cores conduzem os passos sobre trilhos
urbanos onde, um pequeno escorregão, pode ocasionar a perda de um membro.
Portanto, equilibro-me no sentir insano, todas as vibrações que me levam a
lugares estranhos. Durante a caminhada, encontrarei o que eu quero. Talvez
esteja perto, o que acho difícil, pois a vida é complicada, preciso me entregar
as caricias das noites sem luar, para conseguir apaziguar o intelecto. Sei que
a vida não é tão somente isso, é muito mais, é uma mancha vermelha que
espezinha as paixões e as ilusões. É tatuagem queimando os pulsos fracos
jogando-me de um lado para o outro numa compulsão estereotipada em sentir a
vida e o próprio desejo em ter a vida como ela é. A vida é vermelha, outra cor
não poderia ser. Condicionada a toda e qualquer evidencia, ateando fogo nos
gravetos secos deixados ao longo da estrada, onde os estóicos transeuntes
torcem o nariz ao se enveredar por outros caminhos, sem saber do porque e o
porquê e, muito menos, de onde vieram e para onde está indo.
Pequenos
liames prendem nossas vidas conjugando os sentires ousados e precipitados na
enxurrada do mesmo desejo. Recorro à escrita por não saber expressar a voz numa
fala delinqüente e sedutora. Há uma proeza que inconsciente, escondo os timbres
da voz numa carapaça envernizada no acanhamento em me expor. A vida é vermelha
e nela me embrenho de alma e coração com a finalidade em senti-la a cada minuto
mais intensa estilhaçando minhas fibras. Ao fim de cada dia ou, de cada
aventura mal sucedida, cato os estilhaços um a um, e com a paciência e amor aos
que me desejam, colo-os com a cola da amizade e da compreensão de estar fazendo
o correto.
E
assim, os dias são mais vulneráveis a quebrar regras livrando-me de
preconceitos e dogmas idiotas.
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