A voz da cantora duela com o piano criando uma
atmosfera de prazer melódico que palavra nenhuma consegue transmitir. Logo em
seguida, a voz masculina dando um timbre sonoro em contrapartida, anuncia a
presença da orquestra que será conduzida e que conduzirá as duas vozes até o
clímax. Num trêmulo de violinos, antecipado pelo piano, tudo se encaixa
verbalmente num prazer inexplicável, pois o inexplicável é para ser sentido,
ouvido, degustado no aconchego interior da alma concretizando a lágrima que
teima escorrer pelo canto do olho. Ao final, a alma se fecha, se recolhe, guarda
os instantes para sempre no interior das fibras num abstrato sentir de comoção
febril.
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