Sonolenta, com o corpo sem energia, não sabia o do porquê,
rompeu em um choro lascivo e condoído.
Chorou por longo tempo.
Os nervos chocavam-se ferindo os ossos numa lancinante dor
fazendo-a contrair-se para dentro de si.
Sozinha contendo a nudez estampada na colcha de angustia foi
que percebeu aquele pequeno montículo de carne ao seu lado.
O que era aquilo? – perguntou-se aterrada.
Procurou coordenar-se mentalmente.
Não, aquilo não era seu e nem era para estar ao seu lado.
Então, porque estava ali enrolado, com os olhos fechados
sugando os seus seios?
O que era essa massa chorosa e mole onde mal se percebia
braços, mãos e dedos?
Um terror tomou conta de si.
Esticou os braços para expulsar, empurrar para fora da cama,
aquele monstro, mas as mãos se recusaram a tocar em algo que não sabia o que
era.
Um frio mortal penetrou sua espinha, correu pelo corpo em
forma de suor pálido.
Amedrontada não se mexia.
Um esgar maligno marcou seu rosto num grito ao mesmo tempo
em que o monstrinho começou a chorar.
Gritou, gritou várias vezes.
Na aparecia ninguém.
Decidiu-se levantar.
Num ímpeto, jogou as cobertas, girou o corpo, colocou os pés
no chão, e se pôs em pé.
No entanto, o quarto girou violentamente jogando seu corpo
que desabou no assoalho frio da morte.
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