Corro perigo de amar insuficientemente. Um perigo que não é levado muito
em consideração, porque o amor é por si só, palavra forte, carregada de
intensidade espiritual que muitos não têm a sutileza de senti-la
essencialmente. Fácil dizer: amo-te. Sentir a potencialidade desse “eu te amo”
não é para qualquer pessoa. Porém, o que quer dizer: “eu te amo?” Quer dizer
que “eu” tenho minha atenção voltada para uma determinada pessoa,
preferencialmente aquela que traz que carrega em si toda a característica que
me agrada, que tem certa alquimia que bate com a minha. Mas ao dizer: “eu te
amo” não me dá o direito de ter o poder de influenciar, o poder de mandar, o
poder de ser dono da pessoa que amo. Esse “eu te amo” apenas me dá o direito de
aceitar os erros e defeitos e, sutilmente, como se beija o aroma da rosa,
emparelhar ou enquadrar, os meus erros e defeitos para que não haja conflitos.
Dizem que amar é confiar, que quem ama tem ciúmes. Para se amar realmente, é
preciso confiar em si mesmo, numa confiança que seu ato não leve a ter uma
pequena sombra de ser mal intencionado. Para se amar realmente, é preciso não
ter ciúmes dos seus próprios atos para que eles não provoquem ciúmes.
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