O olhar da cidade impera nos transeuntes como faca sem
corte sangrando as feridas algumas vezes e outras um vazio que perdura na
distância até onde o olhar alcança fitando o além de si mesmo.
A cidade pouco se importa com os destinos que por ela
transitam, talvez seja arrogância
advinda dos cafeicultores barões endinheirados, ainda entranhado em alguns
pontos de sua alma de concreto e aço.
Não se importa se está ou não superada, o que pode ser
discutível, pois apenas quer, assim como todos, o seu espaço para acolher quem
dela se achar necessitado.
Dizem que ela se revolta arrastando frágeis destinos em
inundações catastróficas, mas se esquecem que, como toda mulher, tem seus dias
e, portanto, nada mais normal às chuvas de verão.
Boemia inveterada se homenageia nas vozes dos seus
cantores compositores que pedem apenas que os ouçam entre um copo ou outro de
chope ou de cerveja.
Tem no meigo olhar o acolhedor aconchego dos desvalidos
vivendo a margem da sociedade faminta pouco se importando de serem os
esquecidos.
Em cada canto, em cada região o seu olhar se mostra
diferente conforme lhe é pedida à atenção, mas no geral o seu olhar é um só
como é um olhar de mãe a cuidar dos seus filhos.
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